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EUA: 94% do lucro da App Store da Apple vão para apenas 1% dos desenvolvedores

O sonho não acabou, só está mais distante: 94% da receita dos apps da App Store da Apple nos EUA estão na mão de apenas 623 desenvolvedores

11/05/2016 às 11:01

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Foi-se o tempo em que desenvolver apps mobile eram o máximo em independência para pequenos desenvolvedores. A Apple e o Google (você não, Microsoft) criaram e alimentaram o mito de que qualquer um poderia ser o novo Kevin Systrom, criador do Instagram: uma ideia genial refinada na forma de uma aplicação campeã, que renderia muito dinheiro a seus desenvolvedores para todo o sempre.

Só que a realidade é cruel. Ter os meios para desenvolver e uma ideia excelente não é sinônimo de sucesso. O ambiente das lojinhas é terrivelmente competitivo, os pequenos disputam espaço com gigantes do quilate das já citadas e Facebook, EA, Disney, Rovio e muitas outras. Darwin pega pesado e só os mais aptos sobrevivem, e na melhor das hipóteses sua solução genial será comprada pelos grandes players, vide o WhatsApp e o próprio Instagram, absorvidos pelo Facebook. Na pior alternativa você será massacrado, como aconteceu com o Meerkat.

Resultado, o dinheiro está todo concentrado nas mãos de poucos estúdios e desenvolvedores. Em 2012 o cenário global era de que apenas 25 grupos e tão somente dividem 50% do bolo dos lucros com apps mobile referente aos primeiros 20 dias de novembro daquele ano, num total de US$ 60 milhões. Na época haviam 260 mil devs registrados, destes 160 mil no iOS. É muita grana para pouco cofrinho.

Se olharmos os resultados individuais por sistema e somente nos Estados Unidos a coisa fica ainda mais feia. Um relatório recente da Sensor Tower revela que após análise das vendas do primeiro trimestre de 2016, a App Store da Apple captou US$ 1,43 bilhão entre vendas de aplicativos e compras in-app. É um excelente número, mas a distribuição da grana, bem…

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Um massacre. 94% da receita fica na mão de apenas UM POR CENTO dos desenvolvedores iOS nos EUA. Isso significa que o grosso da grana, cerca de US$ 1,34 bilhão é dividido entre apenas 623 estúdios, enquanto os 61.677 restantes ficam com os US$ 90 milhões que sobram. Uma média de US$ 1.459,00 para cada. Em três meses.

Os outros grandes? Média de US$ 2.150.882,00 para cada um, embora seja óbvio que tal distribuição está longe da realidade. Você e eu podemos dividir um frango, eu devoro ele sozinho e estatisticamente cada um comeu meio frango. Mas você continua com fome.

E piora, claro. O mesmo seleto grupo do 1% responde por 70% dos downloads totais da App Store e os principais apps pagos ou com microtransações são games, que exigem alto investimento em engine e direção de arte. Programar um Angry Birds é facil, um título tão arcaico e simples que nada mais é do que o velho GORILLA.BAS, mas com exceção de alguns poucos saudosistas e fãs do Minecraft ninguém vai comprar seu joguinho com gráficos do Atari 2600.

Vale lembrar também que apesar dos esforços do Google, a maior parte do lucro com apps mobile está nas mãos da Apple.

O cenário hoje não é tão melhor do que quatro anos atrás. Continua difícil para um desenvolvedor independente fazer sucesso, a ideia de apenas lançar e esperar a grana entrar não se aplica mais. É preciso ter uma boa ideia, um bom know-how e suporte, saber aguentar as porradas dos grandes e principalmente, sorte. Deu certo com a Rovio, deu certo com a Supercell, deu certo com o Snapchat. Não há motivos para outros grandes produtos surgirem no futuro, só é preciso saber que a concorrência será pesada.

Fonte: Sensor Tower.

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