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Sobre Tomahawks e Pombos

Normalmente quando um míssil não explode ele está errado, mas alguma vezes essa é a idéia, como em um teste onde um Tomahawk desarmado rastreou e atingiu um navio em movimento. Para azar de dois pombos que estavam no exato container que o míssil acertou… e sim, temos vídeo.

11/05/2016 às 10:30

pombos

O Tomahawk é um míssil que entrou em serviço no começo dos Anos 80, e já fez de tudo, sendo lançado de navios, aviões, submarinos, caminhões, levando todo tipo de armamento, inclusive ogivas nucleares W80. Eles foram usados direto nas Guerras do Golfo e todos os conflitos posteriores.

No primeiro ataque nada menos que 288 foram disparados contra o Iraque, no maior ataque desde a 2ª Guerra. Comprovando a teoria de que armamento de precisão muda tudo, o ataque foi transmitido ao vivo do telhado do Hotel que hospedava a equipe da CNN, no centro de Bagdad. Em Dresden, 1945 isso não seria recomendado.

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O custo individual de cada Tomahawk é de US$ 1,6 milhão; então cada vez que um é disparado é bom que seus 400 kg de explosivos cheguem ao alvo certo, mesmo a 2.500 km de distância. Essa aliás é a grande vantagem. O Tomahawk não é veloz, viaja a uns 800 km/h, mas voa por muito, muito tempo.

Ele é essencialmente um aviãozinho sem piloto, e se isso parece familiar, é a mesma idéia das bombas voadoras V1, da 2ª Guerra Mundial.

V1 vor dem Start Aus guter Deckung wird "V1" an die Abschußstelle gerollt. Der Start erfolgt durch eine Pressluftanlage. Mit Hilfe eines Fernlenkverfahrens trifft die "V1" das befohlene Ziel. Die gleichbleibend hohe Geschwindigkeit, die von keinem Feindjäger erreicht wird, erhält "V1" von einem Raketenantrieb. Diese erste deutsche Vergeltungswaffe ist eine hervorragende Schöpfung unserer Luftrüstung. Foto: PK-Lysiak/Transocean-Europapress

V1 vor dem Start
Aus guter Deckung wird "V1" an die Abschußstelle gerollt. Der Start erfolgt durch eine Pressluftanlage. Mit Hilfe eines Fernlenkverfahrens trifft die "V1" das befohlene Ziel. Die gleichbleibend hohe Geschwindigkeit, die von keinem Feindjäger erreicht wird, erhält "V1" von einem Raketenantrieb. Diese erste deutsche Vergeltungswaffe ist eine hervorragende Schöpfung unserer Luftrüstung.
Foto: PK-Lysiak/Transocean-Europapress

Hoje ele só é usado pela Marinha, vem sendo melhorado mas como a fabricação já estava em quantidade mínima e em 2015 Obama cancelou de vez novas encomendas, os estoques estão no fim. Em 2015 só foram comprados 100 novos Tomahawks. As estimativas são de que em 2003 o estoque era de 1.400 aproximadamente. Imagine hoje.

Como não faz sentido usar um míssil de US$ 1,6 milhão para matar dois sujeitos num camelo, boa parte dos alvos dos Tomahawks hoje são navais. Quando se fala em destruir um navio o preço fica mais interessante, e de vez em quando rolam uns exercícios bem legais.

Em um deles um Tomahawk sem ogiva explosiva foi lançado do USS Kidd, seguindo uma rota pré-determinada. Um F-18 sincronizou sua passagem e acompanhou o vôo. Em determinado momento um outro avião enviou um comando alterando o objetivo, que agora era um navio-alvo (se bem que para os submarinistas todos os navios são alvos) carregando uma parede de containers.

O Tomahawk passou a acompanhar o alvo em movimento, e poderia até transmitir imagens para o navio-base. Atingindo em cheio, ele atravessou os containers como se fossem de papel. No processo o tanque de combustível do míssil foi rompido na saída do outro lado do container, ele perdeu propulsão e quicou algumas centenas de metros. Um disparo lindo, coisa rara de se ver, até pelo custo.

Agora, o melhor: em cima do container atingido havia dois pombos, que tiveram o susto de suas vidas.

poooommmbos

Imagine, você está tranquilo, conversando com seu amigo assuntos de pombo, quando do nada um Tomahawk atravessa o container onde você está, a 890 km/h e explode. Isso acaba com seu dia. Veja, é lindo:


TurbojetAquila — Amazing footage of F-18 chase Tomahawk missile

Agora o melhor do melhor: no vídeo a Marinha reconhece que os pombos estavam lá, aponta para eles mas — que legal — diz que sobreviveram. Isso, claro, é puro marketing, eles sabem que um bando de chatos iria chilicar e querer que abortassem o teste por causa de dois ratos voadores, mas a opinião pública é tão importante hoje que no site da Raytheon, fabricante do míssil não são mencionados os pombos e a imagem utilizada sofreu um corte estratégico:

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Ou seja: tudo bem o míssil não saber a diferença entre uma mesquita e uma escola (tudo bem eu também não sei), e viver aparecendo como penetra em casamentos no Yemen, mas matar dois pombos, aí que traçamos a linha?

Quem diria, a velha piada de Hitler mandar matar 6 milhões de judeus e dois palhaços virou realidade.

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