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Índia: todos os celulares vendidos deverão contar com um "botão de pânico" para mulheres

Para reduzir número de agressões a mulheres, em 2017 todos os celulares vendidos na Índia deverão incluir um “botão de pânico”; GPS será obrigatório em 2018.

26/04/2016 às 15:17

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A Índia pode ser um país que evoluiu muito nas últimas décadas, possui um programa espacial melhor que o nosso e tudo mais, mas a violência contra a mulher por lá é um caso sério. Um país onde estupros coletivos são corriqueiros e rituais bárbaros são impostos à vítima como forma de “purificação” tem sérios problemas. E como tudo envolve religião fica ainda mais difícil punir os verdadeiros culpados.

Estatísticas oficiais do governo indiano informam que em 2014 foram registrados mais de 330 mil casos de agressão à mulheres no país. Uma média de dois estupros por hora. Nos últimos anos as autoridades têm endurecido as leis para reduzir esses crimes, mas como a Índia inexplicavelmente não possui um número de emergência como 190 ou 911, tudo é muito manual. Isso quando não perdem a senha do sistema de reclamações

Por isso o novo pacote de medidas anunciado nesta segunda-feira foi muito bem recebido: a partir do dia 1º de janeiro de 2017 todas as empresas que desejarem comercializar celulares e smartphones no país deverão incluir um “botão de pânico” em seus dispositivos. O decreto aprovado não abre qualquer tipo de exceção, todo mundo será obrigado a se adequar: desde empresas locais pequenas como gigantes como Samsung e Apple, que lucram bastante com o mercado indiano: a primeira graças à excelente aceitação dos aparelhos que rodam Tizen e a segunda devido às boas vendas dos modelos anteriores ao iPhone 6, assim como no Brasil e Indonésia (um dos motivos que levou ao lançamento do iPhone SE).

A forma como as companhias deverão implantar o recuso fica a critério: pode ser um botão físico dedicado ou uma solução em software, desde que seja simples de ser ativado: por exemplo, em celulares com teclados físicos as autoridades pedem que as teclas 5 ou 9, se seguradas por um determinado tempo ativem o chamado de socorro. Outro modo sugerido para a implementação do botão de pânico são soluções em tela ou adaptações de software e hardware, como segurar um botão (provavelmente o Power) por um determinado tempo ou apertá-lo três vezes seguidas.

E não para por aí: o mesmo decreto prevê que em 2018 o rastreamento por GPS será obrigatório, muito provavelmente passando a ser um recurso que não poderá ser desligado. As empresas que não se adequarem não poderão atuar na Índia, simples assim.

O problema principal é para qual departamento os chamados de socorro serão direcionados. Há o projeto para a criação nos próximos meses do tão esperado número nacional de emergência, que até onde se sabe será 112. Como os órgãos oficiais negligenciaram a segurança dos cidadãos por anos e a violência contra a mulher é algo corriqueiro lá, muitas startups lançaram seus próprios apps que disparam pedidos de socorro alertando familiares quando é preciso. Com o decreto e o serviço centralizado a ideia é que finalmente as coisas sejam tratadas da maneira correta e que a resposta seja rápida e uniforme.

Melhor para todo mundo.

Fonte: The Economic Times.

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