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Batalha de Extensões do Firefox provoca mudanças na política da Mozilla

05/05/2009 às 5:39

Resumindo a história, temos duas extensões famosas: AdBlock Plus e NoScript. O primeiro é baseado numa lista negra de anunciantes e é mantido por uma pessoa com o apelido (nick) de Ares2. O segundo, é um programa que essencialmente bloqueia vários tipos de execução de scripts e plug-ins e torna o browser ainda mais seguro.

George Maone, do NoScript, sustenta o projeto com anúncios no website oficial da extensão. O problema começou quando Wladimir Palant, o desenvolvedor do AdBlock Plus pediu ao mantenedor da lista negra para incluir os anúncios que sustentam o NoScript.

Pronto. Começou uma batalha de gato e rato entre G. Maone e o tal Ares2. Ele fez modificações no script de exibição dos anúncios para continuar burlando o filtro do AdBlock Plus. E assim foram sendo feitas mais e mais regras de bloqueio que resultaram, no final, do website do NoScript simplesmente parar de funcionar e não ser nem mesmo possível instalar a extensão.

Num acesso de raiva, o Sr. Maone resolveu criar uma atualização que atacava o funcionamento correto do AdBlock Plus e mascarou essa modificação de forma que mesmo com o código-fonte, ninguém percebeu isso.

É óbvio que uma estupidez dessas, ainda mais no mundo open source, teria pernas curtas. O código malicioso estava lá e quando os usuários descobriram o tempo fechou. Tanto que logo em seguida ele pede desculpas aos usuários e a toda a comunidade.

E com isso, foi exposto o seguinte: o modelo de extensões do Firefox deixa com que os programadores façam o que bem quiserem com ele. A interatividade é total e praticamente não há limites para o que elas possam fazer. Esse poder todo fez com que o maior trunfo do browser sejam aplicativos muito úteis, como o ScribeFire que estou usando para escrever esse post. Mas como diria o Tio Ben, grande poder trás grande responsabilidade. E foi justamente uma atitude irresponsável o ocorrido.

Nesse modelo a Mozilla optou por não usar modos protegidos, ou sandbox, no jargão técnico. É a velha caixa de areia, em que uma aplicação fica totalmente isolada da outra e só pode se comunicar através de um conjunto específico de protocolos e interfaces de programação e nada mais. Como eu sei disso, limito o uso atual a menos de 10 extensões, somente o essencial. Mas existem os viciados que apinham o browser de tal forma que quando algo dá errado... melhor jogar fora e começar de novo, ou seja, remover tudo e instalar um por um, até isolar o problema.

Com isso, a Mozilla foi obrigada a mudar a política e restringir um pouco mais a liberdade que antes era gozada por todos. A última coisa que eles precisam é uma batalha de egos com programadores intencionalmente quebrando outras extensões, concorrentes ou não. A verdade é o seguinte: todos somos humanos e somos passíveis de erro.

Nesse caso, os dois cometeram erros. O AdBlock Plus foi criado para que o usuário tenha controle dos anúncios. A lista negra deveria ser uma coletânea de sites que abusam e colocam uma quantidade colossal de propaganda e fazem de forma que confunde o leitor. Concordamos plenamente. Mas jogar na lista negra o site de uma extensão que vive de donativos e alguns parcos anúncios? Fala sério.
E ao invés de apelar para a comunidade e trazer a discussão para a mesa de negociações e expor e conversar, optou-se por quebrar o aplicativo.

Mas no final, tudo deu certo, depois de pedidos de desculpas, correções e uma explicação sincera.

Fonte: Ars Technica

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