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Cientistas encontram um recife de 9.500 km² no estuário do Amazonas

Uma equipe de cientistas americanos e brasileiros, com uma pista de uma pesquisa de 40 anos atrás fez uma descoberta impressionante: um recife de coral com 9.500 km² no último lugar onde alguém esperaria encontrar um: no estuário do Amazonas.

25/04/2016 às 10:31

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A princípio não faz sentido alguém deixar de perceber a existência de um recife de corais de 9.500 quilômetros quadrados, com 1.000 km de comprimento e 50 de largura, mas foi exatamente isso que aconteceu, mas é algo perdoável. Bocas de rios são lugares onde recifes não costumam florescer, as águas turvas deixam passar pouca luz e a baixa salinidade deixariam o Nemo doente.

Só que a Vida sempre acha um caminho, e não foi diferente aqui. Quem achou o caminho também foi a Ciência Brasileira, sempre vítima do ódio sistemático que sofre por parte da mídia governo e povo, que resulta em cortes de verba, desprezo e, estranhamente, xenofobia.

A história começou quando Patricia Yage, Professora de Oceanografia e Mudanças Climáticas da Universidade da Georgia resolveu pesquisar como a água e sedimentos que desembocam do Amazonas afetam a absorção de dióxido de carbono do Atlântico. Pobres mas orgulhosos, recusamos várias vezes permissão para que ela e sua equipe fizessem medições no local.

Eles pretendiam usar o RV Atlantis, navio oceanográfico do Woodshole Institute, que com seu submersível Alvin localizou o Titanic oficialmente e um submarino soviético, que era a missão real aliás.

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A solução encontrada foi propor uma pesquisa em conjunta com a UFRJ, que tem excelentes cientistas mas verba que é bom, nada. Um desses cientistas era Rodrigo Moura, que topou a parceria mas queria usar seu tempo no navio para procurar algo bem específico: um recife de coral que deveria existir por ali, conforme citado em um paper de 1977. Que algo interessante assim tenha permanecido não-confirmado por quarenta anos diz muito sobre a penúria que nossa ciência passa faz tempo.

E por falar em penúria, a novela trágica dos navios oceanográficos da USP, apodrecendo por falta de verba, continua”.

Patricia não levou fé, afinal são algumas das águas mais “sujas” do mundo, turvas demais para recifes, mas acordos são acordos. Só que ele precisava de uma draga, o RV Atlantis não tinha uma. Por sorte ela lembrou que nos fundos do Instituto de Oceanografia da Universidade de Washington havia uma velha draga. Pauzinhos mexidos, conseguiram despachar a draga (era Washington Estado, não Washington DC) através do país até o navio, e a expedição zarpou a tempo.

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Quando a draga foi usada e amostras do leito marinho foram coletadas, os 30 cientistas a bordo custaram a acreditar: todo um ecossistema de corais, crustáceos, algas e estrelas do mar estava vivendo ali, em meio a águas barrentas.

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O paper com os detalhes da pesquisa pode ser lido integralmente aqui.

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