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CEO da AMC: “permitir celulares no cinema é necessário para atrair a atual geração” [UPDATE: not gonna happen]

Para Adam Aron, permitir o uso de smartphones no cinema para enviar mensagens é preciso para atrair espectadores que consomem mídia de outras maneiras.

15/04/2016 às 11:02

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UPDATE: e o CEO da AMC Adam Aron pagou caro pelo que andou falando. Em um comunicado oficial a rede de cinemas afirma que não pretende permitir o uso de celulares em suas salas “nem hoje, nem amanhã e nem num futuro próximo”. Além da reação negativa do público é bem provável que o corpo de acionistas da companhia tenha lhe dado um belo puxão de orelha, já que ele é basicamente um novato no ramo da sétima arte.

Segue abaixo a história original.

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A grande maioria de nós não gosta de ir ao cinema e ser cercado por chatos de smartphones ligados. É um tal Twitter pra lá, Facebook para cá, Instagram no meio e o WhatsApp não para um segundo. Cada vez mais pessoas tentam fazer tudo ao mesmo tempo agora e não se importam que estão incomodando a pessoa ao lado, que desligou o gadget no momento em que sentou a bunda na cadeira mas precisa aguentar as luzinhas, risadinhas e pings sonoros do chato.

Só que o CEO da rede AMC Adam Aron vê esse pessoal com outros olhos: para o executivo eles são um novo perfil de espectador o por causa disso deve ser estimulado a querer sempre vir ao cinema. E ele propõe uma medida drástica para fazê-lo, que é encontrar uma forma de permitir que os millennials possam utilizar seus smartphones para mandar mensagens durante a sessão.

Aron é um executivo de carreira que já passou pela Starwood Hotels and Resorts, além de ter sido CEO do Philadelphia 76ers, do Vail Resorts e do Norwegian Cruise Line. No ramo do cinema ele é um novato absoluto, mas isso já lhe permite olhar a situação da geração Tudo ao Mesmo Tempo Agora com outros olhos. Ele vê os millennials como um novo perfil de usuário, de uma pessoa que cresceu fazendo multi-tarefa e para quem a realidade de se focar em apenas uma única atividade é contraproducente.

Segundo Aron, pedir para esse espectador desligar o celular “seria o mesmo que pedir para cortar o braço fora”. Exageros à parte, o que ele quer dizer é que esse perfil de consumidor está acostumado a fazer diversas coisas ao mesmo tempo, fatalmente em casa ele liga o Netflix na TV, acompanha notícias no iPad e tuita no smartphone. E consegue dar conta de todas as tarefas sem perder nada. Forçá-lo a ser monotarefa no cinema chega a ser uma tortura para eles, e aí não voltam ao cinema. E isso significa dinheiro perdido.

As gerações mais novas nasceram num ambiente digital multitarefa, seus cérebros já estão se moldando a uma realidade onde direcionar o foco a diversas atividades simultâneas é não só possível como é uma otimização absurda do tempo. Como o Cardoso já explicou, no futuro um cirurgião poderá controlar diversos parâmetros durante uma operação sem depender de uma enfermeira para isso.

Aron entretanto não é louco: ele sabe que a grande maioria dos espectadores são monotarefa, mas também não está disposto a perder esse filão de consumidores que em algumas décadas serão a maioria. Eles precisam ser fidelizados agora, e para isso e propõe a criação de um meio que permita ao millennial utilizar seu smartphone para enviar mensagens (nada de gravar a tela, óbvio) sem que ele incomode outras pessoas. Difícil? Com certeza, mas se ele conseguir quebrar esse código cairá nas graças de uma geração inteira e fará muito dinheiro: a AMC recentemente comprou a Carmike Cinemas e efetivamente se tornou a maior rede de salas do mundo.

Fonte: Variety.

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