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Cielo lança Lio — chamam de plataforma mas estão sendo modestos

A Cielo lançou o Lio, que a primeira vista é uma maquininha mas isso seria reduzir um iPhone a um telefone. É na verdade uma plataforma completa. É como a mudança entre telefones convencionais e smartphones, ela roda inclusive uma versão customizada do Android. Esqueça a maquininha onde você passa o cartão e pronto. A Lio se você quiser roda até apps!

14/04/2016 às 9:00

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É seguro dizer que não há um único datilógrafo na Cielo, e provavelmente nem nas concorrentes. Herança da hyperinflação nosso sistema bancário é extremamente eficiente, e os setores derivados seguiram o mesmo caminho. É divertido ver como os americanos estão com dificuldades em implantar cartões com chip.

Agora a Cielo inovou de novo, mas talvez nem eles tenham noção do Mercado que estão abrindo. A inovação é a Lio, a maquininha que você está vendo aí em cima. Ou melhor, maquininha não, eles querem que a gente chame de plataforma, mas vai muito além disso.

Como você está desconfiando a Lio parece muito com um celular Android, mas é um terminal completo de vendas, igual aos que a gente está acostumado a usar na rua:

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Fosse só isso já seria uma bruta inovação. A máquina é muito, muito leve, garçons agradecerão, mas a Lio vai muito além. Se você está desconfiando que o negócio é Android, acertou. Ela roda CieloOS, uma versão customizada com foco em segurança de dados.

A Lio tem conectividade Wi-Fi, Bluetooth e 3G, e capacidade de montar um catálogo de produtos internamente. Cadastros e pedidos podem ser feitos através do leitor de código de barras, que usa a câmera do equipamento. Impressão de comprovantes passa a ser opcional, você pode escolher receber por e-mail, enviado direto da máquina.

Acessibilidade também não foi esquecida. A parte de senhas é feita na parte traseira do equipamento, onde há um teclado físico.

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O equipamento tem flexibilidade para, por exemplo, fazer fechamentos parciais de contas — o famoso vou embora, vou deixar R$ 30, valeu?. Esqueça a maquininha de pagamento, a Lio é um sistema gestor de ponto de venda, na sua mão. Até relatórios consolidados ela faz, se se você se confundir, fale com o suporte. Como? Suporte via chat na própria máquina.

Updates de Firmware serão igual a Tesla: Over-The-Air, mas isso também não é o mais revolucionário.

O que achei genial mesmo é que a Lio é uma maquininha (nunca mais me chamam pra nada) que… roda apps.

Imagine que você tenha uma LAN House. Você cobra por slots de 10 minutos, com pagamento no final. Você contrata um desenvolvedor que cria um app que abre uma conta, e a cada dez minutos envia um aviso para o computador que estiver com o tempo expirando. O gamer balança uma pulseira com um código de barras em frente ao leitor, e bingo, mais dez minutos na conta dele. Ao final o sistema totaliza e o gamer faz o pagamento.

Como isso pode ser feito? Simples, pequeno gafanhoto. a Cielo vai disponibilizar emuladores e APIs para desenvolvimento, e os aplicativos estarão disponibilizados em uma App Store própria, onde você poderá inclusive vender seus apps.

Imagine um bar que use uma Cielo Lio e os serviços de nuvem da empresa. Você pode ter um app baixado de uma App Store convencional, para seu Android iPhone ou Windows Phone (mentira, ninguém faria pra WP). Esse app escanearia um código de barras na mesa, criaria uma associação com sua conta e abriria o botão MAIS CHOPP!

Você clicaria quantas vezes fossem os chopps desejados, e um último clique mais longo enviaria o pedido, que chegaria direto na chopeira e no garçom.

Um app de trívia valendo chopp? Tranquilo. Vouchers para uso posterior? Trivial. Dá para imaginar até app de pegação onde você pode enviar drinks pra mesa ao lado, e serão debitados na sua, sem toda aquela burocracia de pedir pra garçom mandar torpedo.


Cielo — Principais novidades da Cielo LIO

Ainda não definiram os custos mas a Lio chegará ao mercado em 45 dias. As metas são 50 mil máquinas na rua até o final do ano e um milhão em 5 anos. Acho pouco, pois não estão criando uma plataforma, estão criando um ecossistema. Pense em quantas centenas de milhares de micro-empreendedores vão adorar poder controlar suas vendas e pedidos diretamente da maqui-plataforma Lio.

Pode ser que a cadeia de supermercados não use tanto mas a Tia da Limpeza que vende Avon poderá aposentar aquele caderninho sebento, se a Avon desenvolver uma app para gerenciar vendas e distribuir para suas consultoras Jequiti.

Em resumo: um terminal de vendas, cheio de conectividade, com API aberta, serviços de nuvem e uma App Store, com apoio ao desenvolvedor. Sendo que as funcionalidades default já são inéditas. Isso vai dar samba.

P.S.: a idéia de app pra colocar automaticamente CPF na nota já é minha, tire o olho!

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