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Putin, pode, Obama também. B-52 chamados para bombardear o ISIS

Um veterano com 64 anos de idade foi convocado para combater o ISIS. É o Boeing B-52 Stratofortress, um avião tão bom que está sendo pilotado pelos netos dos pilotos originais, e antes de ser aposentado passará pelas mãos dos bisnetos. Pelo visto militares não acreditam na obsolescência programada.

11/04/2016 às 9:01

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No final da Segunda Guerra os EUA perceberam que era bem provável que teriam que combater em uma nova guerra na Europa, e não tinham ilusões de que as bases na Inglaterra ainda existiriam depois das primeiras horas de combate. Mísseis balísticos intercontinentais ainda eram ficção científica, Von Braun nem havia desfeito as malas direito. Era preciso um avião grande o bastante para levar bombas nucleares, decolar dos EUA, atingir alvos na Europa Oriental e voltar, ou pelo menos alcançar aviões de reabastecimento.

A Boeing ganhou a concorrência com o que se tornaria o Boeing B-52 Stratofortress.

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Esse monstro de 48,5 m de comprimento peso máximo de decolagem de 120 toneladas consegue carregar 31,5 toneladas de bombas a uma distância de 7.200 km, voando a 1.000 km/h. Munição equivalente a 15 Fortalezas Voadoras da 2ª Guerra.

Com o tempo o B-52 foi adaptado para levar mísseis, bombas convencionais, protótipos da NASA e os aviões-foguete do Projeto X, que pela primeira vez quebrou a barreira do som.

Novos bombardeiros foram projetados e construídos desde que o B-52 entrou em operação no começo de 1952, mas nenhum foi capaz de substituir o B-52. O BUFF, como é conhecido pelos pilotos (Big Ugly Fat Fucker) é apenas bom demais no que faz. Durante a Primeira Guerra do Golfo 7 B-52 decolaram de Louisiana, voaram até o Iraque, cada um lançou 5 mísseis de cruzeiro e deram início ao ataque. Antes que Saddam soubesse o que estava acontecendo os B-52 deram a volta e, 35 horas depois pousavam de volta na base de Barksdale, Louisiana. Um passeio de 23 mil km.

Dos 744 construídos, fora os perdidos em acidentes 78 permanecem em serviço, o resto está naquele cemitério de aviões no deserto que de vez em quando aparece em filmes.

Hoje o B-52 está bem defasado, seu índice de sobrevivência em um combate moderno é bem baixo, por isso ataques são feitos preferencialmente com o B-1 e o B-2. A ultima fez que o B-52 viu combate foi 26 anos atrás, na 1ª Guerra do Golfo. Só que os BUFFs vão voltar.

Os EUA estão usando bombardeiros mais modernos na Síria, em combate ao ISIS, mas agora perceberam que os russos além dos mais avançados Tu-160 Lancer e Tu-22M Backfire também estão bombardeando o ISIS com o Tu-95 Bear, o equivalente soviético do B-52.


WarLeaks - Military Videos & Combat Footage — Russian TU-22M TU-95 And TU-160 Planes Continue To Drop Their Loads Over Syria

Claro que não é politicamente aceitável para os EUA lançar bombas não-guiadas de grande altitude como os russos, mas mesmo com munição guiada a economia com os B-52 será considerável. O último saiu da linha de montagem em 1962. Os aviões estão sendo comandados pelos netos dos pilotos originais. Não há mais onde amortizar os custos, a hora de vôo do B-52 é muito, muito barata.

Putin sem-querer fez um grande favor à USAF. Ao mandar até a pia da cozinha para atacar a Síria e transformar a campanha contra o ISIS em um enorme e bem-sucedido comercial de armamento russo, ele deu a dica de que o espaço é seguro para B-52, e o inimigo não tem acesso a armamento antiaéreo sofisticado.

Os B-52 acabaram de chegar no Qatar, O que é uma péssima notícia pro ISIS, ainda mais agora que resolveram pegar pesado e usar armas químicas contra a população civil. Algo que diz que esses terroristas não vão estar por aí em 2040, quando o B-52 finalmente será aposentado. Talvez.

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