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Obrigado, Ciência: agora nem em vídeo ao vivo dá para confiar

Lembra a história de que uma imagem vale mil palavras? Que tal se essas palavras forem mentirosas? Um grupo de pesquisadores desenvolveu um algoritmo para alterar expressões faciais em vídeo, sem captura 3D, e em tempo real. É algo no mínimo assustador.

21/03/2016 às 19:34

unificationparttwo10

No excelente episódio de Star Trek: TNG “Unification” depois que o Embaixador Spock se recusa a colaborar com os Romulanos eles usam um holograma para gerar uma imagem convincente de Spock avisando que as naves entrando no espaço Vulcano são uma delegação diplomática romulana (em verdade são uma frota de invasão).

A idéia de simular aparência e voz de uma pessoa era totalmente ficção científica e até no episódio, no Século XXIV soava como algo fora do normal. Só que a realidade é muito mais imaginativa que os roteiristas e mesmo os fãs de ficção científica, e fomos todos devidamente atropelados por ela.

Um grupo de Stanford, da Universidade de Erlangen-Nuremberg e do Instituto Max Plank de informática criou uma técnica descrita no paper “Face2Face: Real-time Face Capture and Reenactment of RGB Videos” que ultrapassa a 1ª Lei de Clarke. Essa tecnologia não é suficientemente avançada pra ser confundida com magia. Essa tecnologia é pura macumbaria da grossa, daquela que traz a pessoa amada de volta em 3 minutos.

Eles simplesmente desenvolveram um algoritmo que usa uma fonte de vídeo 2D, uma câmera por exemplo, lê as expressões faciais e transfere essas expressões para outro sinal de vídeo, também 2D e também em tempo real.


Matthias Niessner — Face2Face: Real-time Face Capture and Reenactment of RGB Videos (CVPR 2016 Oral)

O potencial de uso disso é assustador. Ainda mais que hoje aceitamos vídeo de qualidade ruim como algo válido, vide todos os OVNIs filmados com batatas.

Em Cantando na Chuva, de 1952 a personagem de Jean Hagen é uma estrela de cinema mudo arrogante nojenta de voz horrorosa que força a doce Debbie Reynolds a dublá-la, e o plano quase dá certo. Com a tecnologia desse algoritmo isso seria possível mesmo em programas de TV ao vivo.


RandomMovieClips — Singin' In The Rain -- Final Scene

Fonte: Stanford.

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