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O papel da emulação na preservação da história dos games

Desenvolvedor defende a utilização de emuladores para mantermos viva a história dos games e acusa a Nintendo de vender ROMs baixadas da internet em sua loja virtual.

21/03/2016 às 8:32

openemu

É inevitável. Sempre que falamos em emulação de games, a primeira coisa que passa na cabeça da maioria das pessoas é a pirataria e embora no geral os emuladores sejam utilizados com o intuito dos jogadores terem acesso a títulos que eles não possuem da maneira legal, há quem entenda que os programas que tentam reproduzir certos videogames podem servir como ótimas ferramentas para manter viva a história da mídia.

Um que defende essa linha de raciocínio é Frank Cifaldi, funcionário responsável pela parte da área de restauração da Digital Eclipse, que durante a Game Developers Conference discursou sobre o risco de perdermos jogos com o passar dos anos e como a emulação pode evitar que isso aconteça.

De acordo com a Film Foundation, mais da metade dos filmes feitos antes de 1950 se perderam. Não estou dizendo que você não pode comprá-los em DVD. Quero dizer que eles sumiram, não existem mais.

Isso me apavora. Não sou particularmente um fã de cinema, mas a ideia desses trabalhos simplesmente terem desaparecido para sempre e nunca poderem ser recuperados me assusta. Então eu comecei a imaginar se alguém estava fazendo algo pelos games. Alguém está se certificando de que os videogames não estão fazendo a mesma besteira que os filmes fizeram para que seu patrimônio desaparecesse?

E sim, existem pessoas que estão fazendo isso. Não os chamamos de arquivistas, não os chamamos de arqueólogos digitais ou coisa do tipo. Nós os chamamos de piratas de software.

Cifaldi então apontou o dedo para a Nintendo, empresa que sempre foi conhecida pela maneira dura como combate os emuladores, inclusive mantendo um comunicado em seu site onde afirma que ao legalizar os emuladores eles estariam promovendo a pirataria, que isso não faria sentido de um ponto de vista de negócios e que por isso o assunto não está aberto a debate.

Acho que ninguém discordará que como donos das propriedades intelectuais que criaram, a Nintendo tem todo o direito de manter esta postura e até uma certa razão. Porém, ao usar este tipo de linguagem o palestrante acredita que a empresa não ajuda aqueles que querem manter viva a história dos games e usou como exemplo o Virtual Console do Wii U, que no fundo não passa de uma emulador.

Além disso, Frank Cifaldi ainda disse que ao vasculhar o Super Mario Bros. que está à venda na loja virtual da Nintendo, ele encontrou um pedaço do código hexadecimal do emulador iNES, o que para ele é uma prova de que na verdade o que os japoneses fizeram foi baixar a ROM do jogo na internet e a colocar à venda no console.

Acusações a parte, acho que o importante nessa história é o levantamento da discussão sobre o que podemos fazer para não deixar que jogos desapareçam, o que devido a maneira como são produzidos hoje tem acontecido cada vez com mais frequência. Infelizmente, títulos que dependem de uma conexão com a internet já nascem com os dias contados e como as fabricantes de consoles muitas vezes não se preocupam em oferecer retrocompatibilidade, ter acesso a títulos antigos pode se tornar bem difícil.

Neste sentido sou obrigado a concordar com Cifaldi, afinal os emuladores podem ser realmente de grande ajuda na tarefa de nos dar acesso a jogos que foram lançadas há 20, 30 anos, mas se organizações como a Entertainment Software Association lutam até contra a modificação de games para que eles voltem a funcionar, esse é uma assunto que ainda renderá muitas e muitas discussões.

Fonte: Polygon.

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