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Startup hipster lança o máximo da tecnologia de 1989, mas piorada

Somente hipsters seriam capazes de recriar uma tecnologia de 1989, mais caro e sem nenhuma necessidade. Exato, como são incapazes de se focar no trabalho, decidiram que as pessoas pagariam US$ 550,00 por uma… máquina de escrever digital.

26/02/2016 às 20:24

TOSHIBA Exif JPEG

Essa belezinha aí de cima é um Tandy WP-2, chegou ao mercado em 1989 e fez a alegria de jornalistas no mundo inteiro. As especificações são pré-históricas, claro. 256 kB de ROM, 32 kB de RAM (ou 64 kB), processador Z80 rodando a 5,52 MHz; e display de 14 linhas de 80 caracteres. Ele não fazia quase nada, mas o que fazia, fazia muito bem.

Em uma época onde um PC portátil custava uma fortuna e pesava uns 20 kg, o WP-2 era uma pena, até por não ser um PC. Era um… Editor de Textos. Em seus 256 kB de ROM ele trazia agenda telefônica, calendário de eventos e software de edição de textos com direito a corretor ortográfico.

Ele vinha com portas seriais e paralelas, podia ser ligado a impressoras e máquinas de escrever (das modernas, sossega, AEB) e modems: com acopladores acústicos, correspondentes internacionais mandavam sua matéria com extrema agilidade, nada mais de FAX ou TELEX.

Caso você quisesse gravar os textos de forma permanente, poderia usar o drive de disquete externo ou as portas de gravador cassete. Sim, seu fedelho é assim que a gente gravava nossos jogos antigamente, em fita K7, e saia do meu quintal!

A alimentação podia ser via fonte ou através das 4 pilhas pequenas, que duravam em média… 3 ou 4 semanas.

Quanto custava essa belezinha? US$ 349,95.

Agora um bando de hipsters mimados descobriu que o mundo é muito cheio de coisas brilhantes e coloridas, e na impossibilidade de assumirem responsabilidade pessoal culpam o UNIVERSO por sua incapacidade de se concentrar em uma tarefa. Decidiram que tablets e notebooks são muito dispersivos.

A geração que não vive sem babá, eletrônica ou não, lançou isto:

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Chamada de FreeWrite, é uma… máquina de escrever digital. Tem todas as papagaiadas obrigatórias: tela de E-Ink, Wi-Fi, acesso a DropBox, Evernote e Google Drive, e pretende ser uma solução para irresponsáveis que não conseguem um mínimo de disciplina e responsabilidade na hora de trabalhar, coisa que até eu no esforço consigo (são 18:40 de sexta).

Pior, a bobagem sai caro. O preço normal de venda é de US$ 549, valor com o qual você compraria um notebook decente e se distrairia com Netflix ou XVideos quando não estivesse escrevendo.

Quanto ao brilhante roteiro que o hipster vai escrever no Starbucks, sem distrações: não será escrito. A menos que ele, que não tem força de vontade para se concentrar num notebook normal, seja forte o suficiente para desligar o celular.

Se fosse eles eu compraria um WP-2 no eBay, sai por R$ 152, bem mais em conta.

Fonte: Tech Crunch.

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