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O pequeno príncipe encanador

10/04/2009 às 11:43

O que faz com que um jogo seja bom? Seus gráficos? Sua jogabilidade? Uma trilha sonora envolvente junto com uma boa história? Então, se tiver todas essas características, um game deveria ser considerado uma obra prima, certo? Depois de jogar o Super Mario Galaxy, posso dizer que o título possui cada uma dessas qualidades e qualquer classificação parece pequena perto da quase perfeição do jogo.

Um dos maiores problemas em se comprar muitos jogos é a falta de tempo para jogá-los. Por mais que você tente fazer diferente, no final sempre terá que preterir um título a outro e nessas escolhas algumas pérolas acabam sendo colocadas em segundo plano e tenho que admitir que minha primeira impressão do Mario Galaxy não foi das melhores. Ao pisar em um dos primeiros planetas, fiquei tentando entender porque as pessoas elogiam tanto o game, qual seria a graça em darmos voltas em uma pequena bola com pouca coisa a se fazer e acabei encostando o jogo. Na última semana eu senti uma súbita vontade de dar uma chance ao encanador italiano e não sei dizer ao certo o momento em que o jogo me prendeu, mas o fato é que quando me dei conta, já estava obcecado em coletar estrelas e abrir novos mundos.

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O que quero contar é como eu consegui enxergar os velhos jogos do Mario nessa aventura em 3D. Por mais incrível que pareça, Mario Galaxy consegue misturar o dinamismo do Super Mario Bros. com a exploração marcante do Super Mario World. As fases não são muito longas, mas possuem vários segredos, passagens e lugares a princípio impossíveis de serem alcançados. O mais interessante é a forma como elas estão dispostas, todas como pequenos planetas ou asteróides. porém, engana-se quem pensa (eu pensava) que isso torna o jogo repetitivo. Todos os planetas são temáticos, tendo fases no gelo, em baixo d´água, em vulcões, castelos, navios voadores, desertos, enfim, as tradicionais fases dos outros jogos do Mario. Quem jogou os games antigos com certeza reconhecerá vários desses estágios e ao contrário do que a Sega faz com o seu mascote, a transição para três dimensões imposta pela Nintendo funciona de forma magistral.

dori_mar_07.04.09_02 O jogo segue derrubando mentiras, como as das pessoas que dizem que o Wii não consegue exibir belos gráficos. Visualmente o jogo é de cair o queixo, com cenários coloridos, com animações e o mais importante, fases brilhantemente desenhadas, fazendo uso constante e inteligente dos controles do videogame. O jogo é uma bela mostra de que não é necessário 400 trilhões de polígonos e texturas foto realistas para que um jogo seja bonito, a menos que você não queira enxergar o óbvio.

O que dizer então do trabalho realizado por Mahito Yokota e Koji Kondo, tendo criado uma das melhores trilhas sonoras dos jogos eletrônicos? Do início ao fim o game possui músicas das mais belas já ouvidas e faz com que o game esteja em outro patamar, também quando o assunto são os ouvidos.

Se você é daquelas pessoas que vivem reclamando da falta de qualidade dos jogos atuais, acredite, eu não te culpo, em parte também compartilho dessa opinião, contudo, se tiver oportunidade, dê uma chance ao Mario Galaxy. Me arrisco a colocá-lo entre os melhores jogos que já tive a oportunidade de jogar e se para você as empresas perderam o jeito de fazer jogos, acredito que com este jogo a Nintendo fique, mesmo que temporariamente, fora desse grupo.

dori_mar_07.04.09_03 Acho que assim como aconteceu com outros jogos como Ico ou Okami, a equipe da Nintendo conseguiu fazer com que uma de suas criações tornasse mais real a ideia de que videogames são mesmo arte. Pelo mesmo processo pelo qual passaram diversas outras formas de expressão como o cinema ou os quadrinhos, talvez daqui há alguns anos o ser humano olhe para o Mario Galaxy e o classifique como uma obra de arte, não pintada em uma tela de pano, mas em uma televisão de não sei quantas polegadas e com um baixinho de bigode correndo por planetas a quais ele não pertence.

Por fim, quero dizer que o texto acabou saindo mais parecido com uma análise, o que não era minha intenção. Gostaria muito de ter conseguido escrever uma espécie de homenagem, um artigo que representasse com palavras o quão espetacular é esta jóia rara, mas ficou muito difícil de achar palavras para fazê-lo. Infelizmente minhas habilidades estão muito aquém das de gênios como Shigeru Miyamoto ou Saint-Exupéry.

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