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E acabou a outra crise dos mísseis de Cuba

Você perdeu um míssil? Os EUA perderam, e pior… ele foi parar em Cuba.

13/02/2016 às 22:21

aceventura

Dessa vez não dá pra culpar. Todo mundo tem problemas com encomendas. Quando cai naquela terrível rubrica está na transportadora tudo pode acontecer. Só que ainda assim sai mais em conta, melhor do que ir na loja você mesmo, gastando tempo, gasolina, etc.

Foi o que aconteceu com o Departamento de Defesa dos EUA. Tudo começou em 2014, quando entre os materiais enviados para um exercício da OTAN na Espanha, estava um simulacro de AGM-114 Hellfire, um míssil anti-tanque desenvolvido nos anos 70 para destruir blindados soviéticos, e hoje primariamente usado para polpificar idiotas em camelos, torrando US$ 110 mil no processo.

O míssil em questão era falso, de testes, normalmente só a parte eletrônica é real. Há variações, alguns são totalmente inertes, outros têm motor mas não ogiva explosiva. Ele se parecia muito com este aqui.

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Agora um pequeno truque: a OTAN (e boa parte do mundo) usa uma codificação de cores para identificar suas armas. Se você ver um anel ou uma pintura azul, pode chutar que não é macumba, significa que a bomba, míssil ou granada é inerte, usada pra treinamento. Não contém uma ogiva explosiva. Se os anéis forem amarelos, cuidado.

Foi um desses azuis que depois de usado na Espanha foi mandado de caminhão para a Alemanha, e de lá para a França, onde seria embarcado em Paris de volta para os EUA, e se você acha essa burocracia tortuosa, lembre-se que durante a Tempestade no Deserto um caminhão Limpa-Neve foi enviado dos EUA para o Iraque.

An AGM-114 Hellfire missile hung on the rail of an US Air Force (USAF) MQ-1L Predator Unmanned Aerial Vehicle (UAV) is inscribed with, "IN MEMORY OF HONORABLE RONALD REAGAN."

An AGM-114 Hellfire missile hung on the rail of an US Air Force (USAF) MQ-1L Predator Unmanned Aerial Vehicle (UAV) is inscribed with, “IN MEMORY OF HONORABLE RONALD REAGAN”

Pois bem: o estagiário prendeu a etiqueta errada e o míssil foi embarcado para… Havana. Isso mesmo, Cuba. E sim, os EUA costumam mandar equipamento sigiloso em vôos comerciais, e não, isso não faz sentido.

Quando perceberam a caca, começou a operação de controle de danos. Procuraram por tudo que é canto, mas incrivelmente o míssil não estava parado em Curitiba. Estava em Cuba mesmo.

Normalmente os EUA adorariam mandar mísseis pra Cuba, mas idealmente eles não permaneceriam inteiros depois que chegassem. A tecnologia envolvida pode ser bem interessante para Irã, China, Melhor Coréia e mesmo aliados, já que é feio mas normal a kibagem de designs de armas entre países amigos.

Como as relações entre os dois países andavam mais frias que a sua com aquela ex que nunca devolveu a porcaria do Neruda, os telefonemas de Washington caiam na caixa-postal, as mensagens de ZapZap de Obama para Raúl marcavam dois verdinhos mas não eram respondidas.

Pior: nem processar o Tio Sam podia, o pacote passou por tantas mãos que eram impossível saber quem tinha pisado na bola. E você reclama do Tracking da DX.

Agora, depois que Obama ficou amigo da Disneylândia do Socialismo, liberou vôos, flexibilizou comércio e vai abrir embaixada, Cuba decidiu ser amiga também e, em um gesto de generosidade, devolveu o míssil.

Se ninguém copiou até o desenho dos parafusos dele nesses dois anos, seria um show de incompetência, mas só teremos certeza do kibe em alguns meses, se aparecer para vender mísseis Hellfile na Ali Express.

Fonte: The Wall Streel Journal.

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