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Bloqueador de ads da Samsung é chutado da Play Store

Google não gostou nada de módulo da Samsung para seu novo navegador mobile que bloqueia ads e o removeu da Play Store; mas há alguns problemas nisso

05/02/2016 às 13:31

samsung-adblock-fast

Usuários em geral não gostam de ads, embora ele seja um mal necessário nos dias de hoje: muitos sites e blogs só conseguem fazer dinheiro através de banners e propagandas, o importante é saber que não se pode ser invasivo para não irritar o usuário. Nós do MeioBit não estamos imunes a isso, mas nunca abusamos da boa vontade dos leitores atochando o site de banners e pop-ups.

Por outro lado o pessoal que abusa odeia aplicativos que bloqueiam propagandas, e é desnecessário dizer que a principal empresa que se utiliza dessa forma de monetização é o Google. O detalhe é que Mountain sempre foi um tanto tolerante nessa questão, mas quando a Samsung ofereceu um módulo compatível com seu navegador mobile a gigante das buscas subiu nas tamancas.

Tudo começou quando a Samsung apresentou um novo navegador para seus dispositivos móveis chamado Samsung Internet for Android 4.0, que diferente de seu browser antigo é baseado no projeto Chromium, e por causa disso é compatível com diversas extensões. De olho em oferecer maior usabilidade para os donos de Galaxies S e Note e mantê-los atrelados a seus produtos a companhia sul-coreana fechou uma parceria com a Rocketship Apps para a criação de um bloqueador de ads próprio para seu navegador, que foi chamado de Adblock Fast.

No GIF abaixo você vê a extensão em ação, compare o funcionamento do Galaxy S6 Edge rodando o Samsung Internet 4.0 com e sem o Adblock Fast instalado:

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Só que há um grande problema nessa história: diferente do AdBlock Plus, que cobra para oferecer proteção o plugin da Samsung não possui o aval do Google. Num caso claro de dois pesos, duas medidas a extensão, que havia sido baixada mais de 50 mil vezes levou um Banhammer nas ideias, sendo removida da Play Store. A desculpa oficial do Google é que o app infringiu a seção 4.4 do Acordo de Distribuição, onde se lê:

Ações proibidas. O Desenvolvedor compromete-se a não participar de qualquer atividade com a Loja, incluindo o desenvolvimento ou a distribuição dos Produtos, que interfira, perturbe, prejudique ou envolva o acesso indevido a dispositivos, servidores, redes ou outras propriedades ou serviços de terceiros, incluindo, entre outros, os usuários Android, a Google ou qualquer operadora de rede móvel. Não é permitido usar as informações do cliente obtidas por meio da Loja para vender ou distribuir Produtos fora dela.

Hummm, curioso. O Google alega que o app não pode acessar dados de forma não autorizada, mas o Adblock Fast fazia uso da API da Samsung com todas as permissões devidas. Ao mesmo tempo ele remove as propagandas, o que o Google pode entender como "perturbação" do uso dos dispositivos Android. O problema é que o AdBlock Plus faz isso, e não só o plugin também é compatível com o navegador da Samsung (e tão somente, a extensão foi removida da lojinha em 2013) como a startup possui um browser próprio.

Enquanto os pequenos apps que bloqueiam ads (são poucos, mas existem) muito provavelmente se sujeitam às regras de Mountain View para operarem no Android, no caso do AdBlock Plus o Google é obrigado a pagar para ser mantido nas listas de exclusão, devido seu alcance. Assim, o mais provável é que como a extensão da Rocketship não passou pelo crivo da gigante das buscas (leia-se não colocou a empresa na lista branca) ele foi sumariamente deletado.

Eu acho que dificilmente a extensão volte a ser oferecida na Play Store, mas se a Samsung for minimamente esperta poderá oferecê-lo pré-instalado em seus aparelhos futuros, e o Google que se rale.

Fonte: The Next Web.

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