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CEO da Porsche não quer nem saber de carros autônomos

CEO da Porsche diz que não tem intenção de oferecer versões autônomas de seus veículos de alta performance; para Oliver Blume “o lugar do iPhone é no bolso”.

05/02/2016 às 11:01

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Porsche 911 Carrera: nada de robôs no comando

Tem gente que morre de medo dos carros autônomos se tornarem uma realidade onipresente, mas mal sabem os motoristas que rejeitam a novidade que isso já é real: diversos veículos hoje em dia são impossíveis de serem guiados sem o computador de bordo, uma série de tomadas de decisão já não contam com o fator humano, e como consequência os carros nunca foram tão seguros.

Claro que há diferença entre um sistema auxiliar e um completamente independente, a maioria dos usuários não quer nem saber do segundo modelo. E a Porsche está do lado desse mercado consumidor.

O CEO da Porsche Oliver Blume não é besta, sua linha de carros de alta performance voltados para pessoas que conforme ouvi anos atrás, não têm dinheiro suficiente para comprar uma Ferrari não entregam o controle 100% na mão do motorista como essencialmente todos os veículos comercializados hoje em dia. Só que há uma grande distância entre isso e as pesquisas conduzidas pelo Google, Tesla Motors e — dizem — Apple. BMW, Mercedes-Benz e Audi também já estão trabalhando de modo a entregar carros que se guiam sozinhos e podem ser o melhor amigo do motorista que sai da balada caindo pelas tabelas e não pode, em hipótese alguma colocar as mãos no volante.

O foco da Porsche é se concentrar no mercado de veículos de alta performance, visto que ao olhos de Blume as últimas vezes em que a montadora cedeu a pressões externas não foram lá muito bem recebidas: o SUV Cayenne, o sedã Panamera e o cross Macan venderam muito bem, mas são veículos fora do escopo de carros esportivos que fizeram o nome da montadora, e para muitos especialistas eles mancham a reputação da escuderia (resumindo, “são carros bons, mas seriam melhores se não fossem da Porsche”).

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Por essas e outras Blume não está tão animado em abraçar a onda dos veículos autônomos. O CEO declarou que seus clientes “desejam eles mesmos guiar um Porsche”, e completou dizendo que “o lugar do iPhone é no bolso, e não na estrada”, deixando claro que a montadora também não irá adotar o Car Play da Apple ou o Android Auto do Google.

Para Blume sempre haverá espaço para carros potentes que o motorista sente prazer em dirigir. É verdade, se não fosse assim o Top Gear que vale não teria sido um sucesso por tanto tempo; ninguém o assistia por causa dos poucos carros populares que apareciam no show (e mesmo assim, quando apareciam era um show à parte) e sim por causa das Ferraris, Aston Martins, Lamborghinis, etc.

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Por outro lado há uma preocupação genuína das montadoras em tornar os carros mais inteligentes e por conta disso, mais propensos a tomar decisões difíceis e não muito agradáveis para o motorista. No geral as pessoas querem carros que sejam propensos a pesar se a vida do motorista vale mais do que potenciais vítimas que ele possa acertar em caso de acidente, mas com humanos sendo humanos ninguém quer dirigir um veículo assim. Gastar os tubos num Porsche que pode te matar a qualquer momento? Não parece ser algo que o pessoal do marketing da Porsche queira, não importa o quão mais seguros seus carros possam se tornar.

Pode até ser que a Porsche jamais lance um 911 totalmente inteligente, mas ele também não entrega o controle 100% na mão do motorista. Só que o motorista que quer um carrão potente acredita nisso e paga feliz, e no fim é isso que importa.

Fonte: Reuters.

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