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Software livre e a nuvem: a liberdade está preservada?

06/04/2009 às 0:29

Pode não ser o melhor exemplo, mas serve o meu propósito para ilustrar algo que o Richard Stallman alertou tempos atrás, de que usar os serviços online significa abrir mão da sua liberdade de uso do software.

Um dos jogos MMO (Massive Multiplayer Online) que foi desplugado esse ano foi o Tabula Rasa. Você compra, faz o download do jogo e paga uma mensalidade para continuar jogando. É preciso estar conectado na internet e usar os servidores do fabricante que autentica o jogador e conecta-o com outros no mundo virtual.

Depois de 1 ano, a empresa responsável decidiu que ele não tinha assinantes suficiente e decidiu desligar os servidores. Os jogadores foram reembolsados com cópias de outros jogos e alguns meses de gameplay. Não há direito algum de continuar jogando, mesmo com gigas de instalação na sua máquina. Fim da prestação de serviço é game over total.

Já o Freespace 2 é um ótimo simulador espacial. A Interplay, distribuidora e detentora dos direitos, faliu e a Volition, desenvolvedora do game, foi comprada. Liberaram o código fonte da engine e a comunidade uniu esforços de tal forma que os mods ficaram mais sofisticados com os anos e hoje as expansões possuem qualidade comercial. E eles foram além: adicionaram suporte ao Linux e MacOS, fizeram melhorias técnicas e gráficas e muito mais conteúdo foi criado.

O jogo e a campanha original podem ser comprados no Good Old Gaming (GOG) e a primeira coisa a se fazer é instalar a engine livre por cima e conseguir as melhorias, como suporte a maiores resoluções gráficas e recursos de placas de vídeo modernas. Depois de 10 anos do seu lançamento, a comunidade em torno do Freespace continua firme e forte em 2009.

Menos liberdade, mais serviços

Quando uma empresa fecha seus serviços online, a liberdade de uso é literalmente ceifada da pessoa. Adoramos metáforas com carros, então é como ter um carro, com o tanque cheio e a chave na mão. Você pode ligar ele, mas não pode dirigir porque uma empresa é dona do portão da garagem e como ela não abre o portão, você não dirige. Imagine: A GM declara falência e todos os carros que ela fabricou no mundo param de andar.

Gmailcídio é algo inimaginável? São alguns anos de mensagens que a Google usa para veicular propagandas e prestar um serviço bom. Mas... se eles resolvem puxar o plugue, eu fico sem o serviço, sem poder pagar alguém para fazer melhorias ou eu mesmo rodar o software de e-mails em um servidor pessoal.

A pergunta que não quer calar

A liberdade do software livre ficará irrelevante com tantos serviços migrando para a nuvem? Se por um lado o sistema operacional torna-se irrelevante do ponto de vista de aplicações, voltamos então aos anos 80 e 90 com empresas tendo ainda mais controle sobre como usamos o software?

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