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Super-Heróis made in Africa

Sorry T'Challa, agora temos um similar nacional, e onde diabos fica Wakanda? A Nigéria está deixando de ser consumidora e se tornando produtora de quadrinhos de super-herói, graças a uma startup que está criando histórias e personagens locais, sem dever nada à Marvel.

12/01/2016 às 14:00

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Para desespero dos floquinhos do Facebook não existe cultura monolítica. Outro dia um pessoal estava chilicando dizendo que brancos não podem tocar ukulele, que isso seria apropriação cultural pois é um instrumento típico da cultura havaiana.

O ukulele é o instrumento que o Nick Ellis usa pra fazer seu 366 Músicas. Seria ele culpado do terrível crime de apropriação cultural, deveria ser julgado pelo tribunal da internet? Dificilmente. O ukulele é um instrumento que surgiu no final do Século XIX, baseado no bom e velho cavaquinho português. Culturas se influenciam o tempo todo, os biscoitos chineses da sorte surgiram nos EUA, por exemplo.

A mitologia dos super-heróis por exemplo é um formato essencialmente americano, mas de apelo mundial. O motivo é simples: são mais uma faceta do herói de mil faces, são representações de arquétipos. Você não perde sua cultura por gostar de super-heróis, na verdade ganha, como a Nigéria está descobrindo.

Uma startup chamada Comic Republic começou a produzir histórias de super-heróis locais, de algumas centenas de downloads, alguns números já passaram de 25 mil, com gente até do Brasil acompanhando as histórias.

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Os personagens são bem diversos. Esse aí de cima é o Guardian Prime, um humano perfeito, com poderes quase divinos. Temos uma bruxa, um tecnomago, uma guerreira e vários outros, no que alguns estão chamando de Vingadores Africanos.

O site da Comic Republic é uma bela porcaria, mas pelas histórias que consegui ler estão indo pelo caminho certo. Não estão fazendo historinhas didáticas, com mensagens de cunho social e pregando diversidade, blá blá blá. Estão contando histórias de apelo universal, com temas locais.

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Super-heróis são imensamente populares na Nigéria. O surgimento de um mercado nacional era inevitável. Ou melhor, poderia ser evitado sim, se praticassem reserva de mercado e instituíssem cotas e limites de exibição e publicação desse tipo de conteúdo.

Site com as histórias (e a interface mais horrenda do planeta): http://www.thecomicrepublic.com/

Fonte: Quartz.

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