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Cards Against Humanity quer fazer picadinho de um Picasso

Responsáveis pelo Cards Against Humanity jogam na mão do público o destino de uma obra de Pablo Picasso: museu ou reduzi-lo a 150 mil pedacinhos

28/12/2015 às 11:03

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O pessoal do Cards Against Humanity, o “jogo para pessoas horríveis” adora provocar o público, principalmente os floquinhos do Tumblr que se ofendem com qualquer coisa. Aliás a premissa do game é essa mesma, ser o mais politicamente incorreto possível. Ele possui apenas cartas de perguntas e respostas, e outras com lacunas e palavras soltas. A meta é formar frases e respostas das formas mais hilárias possíveis e dependendo do juiz ou do senso comum, a resposta mais infame, preconceituosa, machista, racista, de humor negro pesado ou coisa que o valha ganha a rodada.

Fora do jogo os responsáveis pelo card game também já aprontaram várias vezes, e em sua grande maioria com aprovação de seu público. A Black Friday é um dos eventos que eles tradicionalmente gostam de aloprar. Em 2014 eles não só venderam 30 mil caixas de cocô a US$ 6 cada, como realmente as despacharam para todo mundo que comprou.

Kevin's Channel — Cards Against Humanity Bullshit Unboxing

Sim, é um unboxing de merda (pun intended).

Em 2015 eles lucraram mais alguns milhares de dólares vendendo absolutamente nada. E ao contrário de outras vezes em que o dinheiro é geralmente doado a instituições de caridade, desta vez eles o torraram completamente.

O fim de ano também não passa em branco. No ano passado a comemoração do Kwanzaa acabou com uma ilha particular no Maine (renomeada para Hawaii 2) sendo comprada e dividida entre todos os 250 mil que participaram. Em 2015 o Cards Against Humanity vendeu o que eles chamaram de “Oito Presentes Sensíveis para o Hanukkah” a 150 mil interessados (inscrições já encerradas), que consistia em um kit surpresa com oito itens variados. Claro que conhecendo o histórico poderia se esperar qualquer coisa, e entre três pares de meias idênticos, assinaturas da rede pública de rádio NPR, uma viagem paga de uma semana para a responsável pela impressão das cartas na China e etc., o último presente revelado causou certo desconforto na comunidade artística:

Picasso on the Laser from Max Temkin

Eles colocaram as mãos em uma obra de Pablo Picasso chamada Tête de Faune e a proposta é simples: o público (na verdade só quem pagou pelo kit) vai decidir através de uma enquete se ele deve ser doado para o Instituto de Arte de Chicago ou, mais provável, ser fatiado em 150 mil pedacinhos e distribuído entre todos que pagaram pelo pacote de fim de ano.

Antes que você lamente o destino de tal obra de arte saiba que ela não é única: o quadro faz parte de uma série de 50 telas semelhantes que Picasso produziu, e a adquirida pelo Cards Against Humanity foi vista pela última vez num leilão em que foi arrematada por US$ 14 mil. Não é como se um garoto afundasse uma lata de refrigerante num quadro de US$ 1,5 milhão, por exemplo.

Considerando o fator ser humano é claro que o quadro vai virar picadinho, só é uma pena que pouca gente vai ter a oportunidade de dizer que tem um Picasso em casa (ou um pedaço dele).

Fonte: Cards Against Humanity.

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