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CEO da BlackBerry acusa Apple de ser “segura demais”

John S. Chen, CEO da BlackBerry manda a reputação de sua companhia para a vala ao criticar a Apple por ter recusado a fornecer dados de um usuário à justiça

21/12/2015 às 9:31

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Como aniquilar a reputação de uma companhia? Pergunte a John S. Chen como se faz. O CEO da BlackBerry, que por anos e anos bateu na tecla de que seus dispositivos móveis são os mais seguros do mercado conseguiu jogar a imagem da empresa que comanda no lixo, ao criticar a Apple por ter se recusado a cooperar com uma investigação criminal e ceder dados de um usuário à justiça.

A última vez que isso aconteceu, de uma empresa ignorar solicitações judiciais o WhatsApp foi derrubado por aqui, voltando apenas 14 horas depois. Neste caso Chen escreveu um post comentando sobre o fato que grupos terroristas fazem uso de apps de mensagens instantâneas como o já citado e o Telegram, algo que segundo o executivo não pode ter lugar em sua plataforma de dispositivos.

A BlackBerry introduziu o Priv, seu primeiro smartphone Android também salientando que ele é o mais seguro que já veio a rodar o robozinho, se comprometendo com a segurança de seus usuários. Ou assim parecia, já que a decisão da Apple (e por tabela do Android também, embora não seja padrão do sistema) em blindar os dados de seus usuários é uma medida desagradável a seus olhos, pois para Chen o ideal é manter acordos com agências governamentais e ceder dados caso sejam solicitados.

Aqui, as palavras dele sobre a Apple:

“Durante anos, autoridades do governo têm solicitado auxílio à indústria de tecnologia, mas todos (os pedidos) foram tratados com desdém. Recentemente, uma das empresas de tecnologia mais poderosas do mundo recusou um pedido de acesso legal em uma investigação de um conhecido traficante de drogas, porque fazer isso iria ‘manchar substancialmente a reputação’ da companhia.

Nós estamos em um lugar escuro quando empresas colocam sua imagem acima do bem comum. Nós na BlackBerry entendemos mais do que qualquer outra empresa a importância de nosso comprometimento com a privacidade para o sucesso de nossos produtos: segurança e privacidade vêm sempre em primeiro lugar. Entretanto, esse privilégio não se estende a criminosos.”

Então vamos lá: para a BlackBerry, que sempre defendeu a segurança dos dados de seus usuários tal direito é relativo, que deixa de valer na presença de qualquer distintivo ou mandado judicial. A Apple comprou uma briga danada com Deus e o mundo ao introduzir criptografia padrão em seus aparelhos, irritou o FBI, a polícia, o procurador-geral, o Departamento de Justiça norte-americano e a NSA, entre outros órgãos por simplesmente entregar as chaves na mãos do usuário. Ela não teria como quebrar a segurança que introduziu nem se quisesse.

Já Chen acredita que o usuário tem direito de proteger seus dados apenas se for um “cidadão de bem” (tsc), o que elimina o direito à inocência presumida. Se o governo quer ter acesso aos dados, que quebre a cabeça desenvolvendo ferramentas tão cascudas e caras que só venham a ser usadas quando for estritamente necessário, e não fazer o que a BlackBerry admitiu agora, que usuário está seguro pero no mucho.

No mais, é bom ver que para acabar de ir para a vala da história a BlackBerry não precisou nem da concorrência, bastou um CEO falando besteira novamente.

Fonte: BlackBerry.

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