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Este macarrão é feito de… raiom. Japão, onde mais?

Tecido comestível? Líder japonesa do mercado têxtil desenvolve alimentos à base de raiom, fibra sintética utilizada na produção de roupas e estofamentos

02/12/2015 às 13:32

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Você já se imaginou comendo tecido? Pois é isso que uma empresa japonesa está propondo. Calma, você não vai devorar roupas (ainda não), mas a pesquisa conduzida pela Okimeshi Co. chegou a um resultado interessante: eles desenvolveram um macarrão feito à base de raiom, a primeira fibra sintética desenvolvida há mais de 100 anos, que é utilizada principalmente na produção de roupas e estofamentos.

O raiom é fabricado utilizando a fibra de celulose retirada do algodão ou da polpa da madeira. Após um processo químico (que pode variar, criando três variações diferentes) a polpa é convertida em um material viscoso, de onde são retirados os fios do material. Descoberto na segunda metade do século XIX, as primeiras meias finas produzidas com a “seda artificial” chegaram ao mercado em 1912. O nome raiom (ou rayon) só foi definido em 1924.

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Catálogo das meias de "seda artificial" datado de 1925

Corta para 2015. A indústria alimentícia faz muito dinheiro atualmente no segmento da comida saudável, principalmente se aproveitando da noção errada de que o glúten é o maior vilão de todos os tempos. Assim, alimentos que não sejam baseados nele ganham mais destaque na mesa de quem pretende perder peso ou apenas comer algo mais “saudável”. A Okimeshi, a empresa número um do Japão do setor têxtil resolveu adaptar sabe-se lá por que um dos processos da fabricação do raiom na produção de um novo tipo de farinha, chamada de “cell-eat”.

O processo consiste em combinar a celulose da polpa da madeira com a batata konjac, um tubérculo muito popular no Japão que parece um inhame e que anda fazendo sucesso por aqui entre a galera da dieta por sua baixa quantidade de calorias (de 4 a 5 kcal em cada porção já cozida de 50 g). O resultado é uma farinha 100% natural e rica em fibras, que contém apenas 60 kcal por quilo. O resultado é o macarrão da foto, cuja porção tem apenas 6 kcal.

O movimento da Okimeshi em se envolver no mercado alimentício não tem nada de benevolente ou de curiosidade, é sim um movimento subsididado pelo governo japonês. A batata konjac é considerada o produto agrícola mais precioso do país, ele possui um imposto de importação imoral de 990% justamente para proteger os produtores rurais. Recentemente o gabinete do primeiro-ministro Shinzo Abe reduziu a carga em 15% para estimular negócios fora do país, e a konjac é geralmente despachada para a Europa.

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Fazendeiros fazendo a colheita da batata konjac

O movimento do governo agora é subsidiar as empresas que investirem em alimentos saudáveis e ajudem a aquecer a economia interna, convencendo os fazendeiros de konjac a aderirem ao programa e aumentarem seus lucros, mantendo o produto dentro do país.

A Okimeshi vai investir um bilhão de ienes (em torno de R$ 31,2 milhões em valores de hoje, 02/12/2015) na construção de uma nova fábrica para produzir a cell-eat. A meta é produzir a partir de 2016 30 toneladas da farinha de madeira e raiom por mês, podendo triplicar a produção conforme a demanda.

E aí, você comeria um lámen feito do mesmo material de uma meia fina?

Fonte: Bloomberg.

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