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Review — Moto X Force

Confira o review do novo smartphone Android “acima do topo de linha” da Motorola: seria a tela do Moto X Force tão inquebrável assim para justificar o alto preço?

17/11/2015 às 19:27

Moto X Force

O Moto X Force é um mais um membro da “família Moto X”. Basicamente, é um Moto X Style com especificações mais parrudas e um diferencial bem atrativo: uma tela “inquebrável” — a Motorola garante que ela é resistente a trincos e estilhaços.

E o Moto X Force também é o telefone mais caro que a Motorola já vendeu por aqui: por R$ 3.499, é mil reais mais caro que o Moto X Style. Vale a pena?

Hardware

Apesar de ser uma espécie de sucessor do Moto Maxx, o Moto X Force adota o mesmo design clean da linha Moto X. Do antecessor, resta apenas a traseira em nylon balístico no modelo padrão, mas existe a opção de traseira emborrachada (em Preto, Tabaco e Cabernet) ou couro (marrom “Conhaque”) no MotoMaker.

Eu particularmente gostei da mudança: o Moto Maxx parecia fora de lugar com o design derivado do RAZR e ainda usando botões capacitivos.

Algo que me deixou bastante surpreso é que apesar de tanta proteção na tela, ele é um pouco mais fino que o Moto X Style: são 9,2 mm de espessura contra 11,1 mm; uma redução considerável nesse mundo com telefones de meio centímetro.

Já nas outras dimensões, ele é praticamente igual, apesar da tela menor. Não dá pra ganhar todas…

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Quanto ao hardware, a grande diferença em relação ao Moto X Style é a adoção do Snapdragon 810, o topo de linha da Qualcomm que tem a fama de ser bem esquentado. Só que apesar da fama, não senti esse problema no Moto X Force: mesmo com uso pesado enquanto usava o telefone como hotspot durante horas, o calor nunca foi incômodo.

A única exceção é usando o carregador turbo — dá pra sentir o telefone *bem* quente e quando rodei benchmarks nesse estado, o resultado foi menos da metade que o usual. Ainda assim, é bem raro notar lentidão no uso.

Fora isso, o Moto X Force conta com 3 GB de RAM, 64 GB de armazenamento, tela QHD de 5,4″ e câmera de 21 Mp que filma em 4K. Ele suporta dois chips, mas tem um detalhe bastante curioso: não é possível usar dois chips e um cartão micro-SD ao mesmo tempo — o micro-SD ocupa o espaço do segundo SIM na bandeja.

Apesar de ser um telefone “inquebrável” — o que até dá a entender pra muita gente que ele aguenta de tudo, o Moto X Force não é a prova d'agua. É uma ausência inexplicável considerando que o Moto G possui certificação IPx7 e pode submergir até 1 metro…

Outra coisa inexplicável é um telefone “além do high-end” não ter leitor de digitais em 2015. Eles estão presentes em praticamente todos os top de linha Android e realmente tornam o uso do telefone bem mais rápido. Ter que desbloquear com senha quando se podia usar um método bem mais rápido (e seguro!) é bastante chato.

A bateria me surpreendeu: se no Moto X Style ela durava cerca de 14 horas apenas com meu uso normal, o Moto X Force aguentou esse tempo enquanto também compartilhava internet por Wi-Fi: eu liguei o hotspot do telefone e só lembrei de desligar 12 horas depois, ainda com bateria pra aguentar o fim do dia.

Em uso mais leve, ele durou cerca de 20 horas. Já no benchmark de bateria do Geekbench, foram 5 h até descarregar.

Tela

Enfim, o grande diferencial do Moto X Force: a tela inquebrável, chamada pela Motorola de ShatterShield. E sim, ela não trinca nem quebra, por mais que você jogue o celular no chão.

Chega a ser bastante divertido ver a reação das pessoas só de ver um telefone novinho caindo no chão — e fica ainda melhor quando veem que ele continua inteiro. O segredo disso é até simples: em vez de vidro, a tela é coberta com plástico. São três camadas de proteção sobre a tela — que é um painel de AMOLED flexível justamente para evitar que algum impacto danifique a tela.

Apesar de ser plástico, a textura é indistinguível de uma tela de vidro. Mas… ainda é plástico e risca com muito mais facilidade.

Não sei se são tantas camadas sobre a tela ou se o painel AMOLED em si é mal calibrado, mas a qualidade da imagem do Moto X Force deixa a desejar. É bastante comum notar brancos bem amarelados e dá pra notar que existe um espaço entre a superfície da tela e o visor em si.

Nem tudo é perfeito: as quedas riscam não só a superfície de plástico da tela como também o alumínio da moldura e o resultado não é dos mais bonitos, ainda que seja bem melhor que uma tela trincada. E ainda se trata de um eletrônico, onde impactos podem causar alguns danos. Depois de alguns dias — e umas cinco quedas — com a unidade de review, apareceu uma linha verde na tela, do nada. Da primeira vez sumiu depois de alguns minutos, mas depois voltou e ficou.

Moto X Force tela ruim

Não dá pra saber se as quedas causaram isso ou se foi só má sorte, mas é um bom lembrete que o Moto X Force é um telefone mais resistente e não um console pra Send Me To Heaven.

Câmera

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Nas especificações, a câmera do Moto X Force é exatamente igual à do irmão menos protegido: 21 Mp na traseira e 5 Mp na frontal, com abertura f/2,0.

Eu tenho a impressão que em ambientes escuros a câmera do X Force se sai um pouco melhor que a do X Style, com menos ruídos, mas não é nenhuma diferença drástica.

No geral, é uma boa câmera, mas considerando a faixa de preço, ela não se destaca muito.

Vale a pena?

É uma pergunta complicada. Uma tela que não quebra é um feito incrível e atrativo pra muita gente — vejo incontáveis smartphones com tela trincada no metrô todos os dias — mas o preço do Moto X Force complica bastante.

Se o preço do Moto X Style já foi bastante criticado, mil reais além disso “só” por uma tela inquebrável e uma bateria melhor fica difícil de justificar… Até porque um reparo custaria o mesmo ou menos. Acho que o Moto X Force pode ser uma boa compra pra quem é bastante desastrado e sabe que vai quebrar a tela de um smartphone comum várias vezes: com hardware poderoso e quatro anos de garantia na tela, é um telefone que deve durar muito tempo.

A tecnologia em si é muito interessante, mas o custo assusta boa parte do público de um telefone inquebrável: já um Moto G Force seria bem mais interessante que o recém-lançado Moto G Turbo.

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