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Oracle Open World - Keynotes

11/03/2009 às 14:23

Se há uma lição tirada dos keynotes de abertura do Oracle Open World Latin America 2009 (ufa!) é que o mundo vai acabar, mas não pra todo mundo.

A palavra “crise”, embora proibida foi a mais falada. Mesmo assim a impressão não era de que devemos correr para as montanhas, e sim que o Destino das Corporações estará nas mãos de uma autoridade maior, na figura de um velhinho barbudo: Darwin.

A idéia Básica, diversificar, já ficou para trás. Isso vale pra padarias que tentam ganhar uns caraminguás a mais vendendo artesanato feito pela mulher do dono.

Quando você já diversifica como a Oracle, com tantos produtos que dificilmente uma única pessoa da empresa conhece todos, mais diversificação fica inviável, a menos que lancem o Oracle 11g Home, o Oracle 11g Professional, o Oracle 11g Business, o Oracle 11g Ultimate e o Oracle 11g Starter Edition, ou MySQL 😉


Safra Catz, Presidente da Oracle - So say we all!


Em momentos de recessão ninguém quer gastar. Segundo o keynote alguns setores no Brasil, como agronegócios, simplesmente pararam. Muito dependentes de financiamento, na falta de dinheiro nada cresce, muito menos TI.

A saída, na visão da Oracle é seguir a onda: Todo mundo quer cortar custos? Ótimo, vamos mostrar que nossos produtos efetivamente reduzem custos, otimizam processos e economizam dinheiro.

Há caso onde a redução do desperdício foi de 95%, mas está claro que a empresa era uma zona. Mas mesmo nos casos onde a economia é de 10%, quando você fatura US$10 bilhões/ano, 10% disso é um bilhão de dólares, quantia respeitável exceto se seu sobrenome for Gates ou Veidt.

Uma das fontes de desperdício é a salada que se tornou o mercado de aplicações corporativas. Uma empresa pequena pode ter softwares de dezenas de fornecedores, muitas vezes incompatíveis. Fazer esses programas conversarem entre si muitas vezes implica em mais despesas e mais programas.


Bhaskar Gorti – vice-presidente Sênior e gerente
geral - Unidade de Negócios de Comunicações Globais

Por isso todos os executivos da Oracle bateram pé em um conceito: Padrões Abertos.
Calma, Freetards, sosseguem. Não há nada stallmaniano nisso. É um conceito chamado pragmatismo. Padrões abertos tornaram a solução Oracle 50% mais barata que a da SAP.

Embora a Oracle ache seus produtos a última bolacha do pacote (como toda empresa) eles sabem que nem todo cliente quer ficar preso a um único provedor de soluções, ou, como na maioria dos casos, o cliente já tem metade da empresa funcionando e não vê lógica em reinventar a roda (pagando).

Daí a idéia de quando necessário adquirir quem faz melhor, adaptar os sistemas para padrões abertos e não tratar o cliente como refém.

Funciona? Funciona, mas padrões abertos são uma faca de dois gumes, vide a debandada que o Movable Type sofreu. Padrões abertos não implicam em fidelização, muito pelo contrario. Como sobreviver em um mundo onde seu cliente pode colocar os dados e programas debaixo do braço e migrar pro concorrente?

Investindo. São US$3 bilhões/ano em Pesquisa e Desenvolvimento, só em 2008, 30 anos de P&D , resultando em 1500 patentes ativas e mais 1500 pendentes. fora as aquisições. Oferecendo soluções que “simplesmente funcionam”.

Safra Catz, Presidente da Oracle repetiu uma analogia feita por Larry Ellison: Se as pessoas comprassem carros como empresas compram software (calma, não é a velha piada do Windows) comprariam um volante da Mercedes, um motor da BMW, um conjunto de suspensão da COFAP, um parafuso da EBP, e por aí vai.

Tudo seria entregue na porta de casa, em uma grande pilha. Aí você contrataria um soldador pra montar o chassi, um eletricista para ligar a fiação, um pintor pra pintar o carro...

Quem trabalhou em ambiente corporativo sabe o que é isso. Eu mesmo já tive que quebrar a criptografia de um sistema de CRM, pois os caras eram jogo-duro e não queriam dar acesso à API para que um sistema meu autenticasse o usuário no banco.

Padrões abertos resolvem? Não necessariamente. XML era pra ser o salvador da pátria e é basicamente uma zona. O que padrões abertos dão é uma oportunidade de que as coisas dêem certo. Sem ficar necessariamente preso a um vendedor, o cliente se sente confortável até mesmo para usar soluções somente desse vendedor.

É aí que a Oracle entra.

Em breve, vídeos. Fotos do evento, neste set do Flickr.

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