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Software Livre ou à Deriva (Derelictware/Abandonware)?

25/02/2009 às 23:12

Software Livre possui hoje uma definição bastante clara e variantes para atender necessidades específicias.

Uma outra definição clara é o Abandonware, usado principalmente em games para um jogo que foi abandonado, está no limbo: não possui mais suporte oficial dos fabricantes, não pode ser legalmente comprado, código fonte indisponível. O distribuidor e/ou desenvolvedor pediu falência e o produto fica por anos sem um ponto de referência. O Fallout 1 e o Freespace 2 foram exemplos até o Gog.com surgir.

No mundo dos aplicativos, há o Derelictware, como o Eudora. É o elefante branco que ninguém mais quer, não é comercialmente ou tecnologicamente viável ser mantido. Os motivos podem ser inúmeros, mas normalmente mudanças radicais de mercado, tecnologia obsoleta, arquitetura de software não adaptável e por aí vai. Há projetos que começam livres e aí o autor original abandona ele, diz que tudo está lá para quem quiser tocar e a maturidade jamais sai do alfa.

O Eudora era um excelente cliente de e-mail comercial, engolido por WebMails, ThunderBirds e Live Mails da vida. Foi relançado como software livre para a comunidade levá-lo adiante e… quase ninguém deu bola. Se é para contribuir com um bom cliente de e-mail, os programadores preferem corrigir bugs do ThunderBird. É questão simples de relevância: ajuda muito mais gente do que tocar um projeto derelictware.

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Mas agora, vamos analistar a decisão da Nokia de encerrar o desenvolvimento ativo do Qt Jambi (Bambi?), uma variante em Java do Qt, e deixar para a comunidade tocar ele por conta própria. É óbvio que não estou criticando a decisão da empresa, LONGE disso. Eles precisam gerenciar os recursos que tem e concentrar no que é mais importante. Dinheiro não nasce em árvore, bons profissionais estão sempre em falta e há uma crise mundial de crédito. Além disso, melhor fornecer hospedagem e o código fonte do que simplesmente deixar ele mofando dentro do versionador.

A reflexão aqui é uma empresa ter um ativo em mãos: código fonte, ou seja, conhecimento humano estruturado de tal forma que resolva problemas. Por algum motivo, eles resolvem tirar 100% do esforço para direcionar para algo mais alinhado com os objetivos de negócio e interesses da empresa. A solução é divulgar o conhecimento na esperança de que ele seja tocado de forma comunitária, ou seja, uma massa crítica de voluntários, remunerados ou não, contribuindo, sem uma liderança ou objetivo específicos.

Bem, a história mostra que o destino comum desses projetos é a vala do Free Derelict Software ou Derelictware ou qualquer outro nome estranho que você queira usar: nenhum motivo/estímulo para que a comunidade continue os trabalhos. Voltamos para a questão de relevância: o programador ajudará mais pessoas com um projeto que a Nokia tocará ativamente ou com um que será tocado como hobby, se tanto?

O destino pode ser algo acadêmico, objeto de estudo ou de provas de conceito. Talvez uma empresa tenha interesse em tocar o Qt Jambi pois já investiu muito na plataforma, depois de 2 anos de existência.

Podemos colocar dentro da mesma categoria, o Apache e o Eudora/Qt Jambi? O Linux e o Open Office (que está à deriva por causa da cabeça-dura da Sun)? Minha opinião é que pela licença são todos livres, fazem parte do mesmo universo, mas não da mesma galáxia.

Fonte: Heise.de via Br-Linux

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