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Neurocientista diz que criogenia é marmotagem

Morrer é desagradável, a maioria das pessoas tentar evitar, é a última coisa que querem que aconteça em suas vidas, mas em geral (descontando o Judeu Errante) é inevitável. Alguns tentam fugir da morte com criogenia, congelando os corpos para que a ciência do futuro os salve, mas um neurocientista escreveu um artigo dizendo que isso é balela. Será?

21/09/2015 às 18:03

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Morrer é algo muito desagradável, a maioria das pessoas não lida bem com isso. Inventamos milhares de fantasias para nos reconfortar e iludir, sendo que só existe um Deus, e Seu nome é Morte. E a única coisa que pode olhar para Ele e dizer “Hoje não!” é a Ciência.

Reclamamos de Alzheimer e Parkinson e Demência e síndrome Pós-Pólio mas essas doenças são resultado do nosso sucesso. A expectativa de vida em 1900 era de 31 anos. Em 2010 era de 67,2 anos. Morremos cada vez mais tarde, mesmo na África em 1950 a expectativa de vida era de 40 anos, hoje é de 58 e continua subindo.

Mesmo assim estamos longe de vencer a Morte. Uma das alternativas é a criogenia, técnica que congela corpos inteiros ou apenas a cabeça, na expectativa de que no futuro a tecnologia será capaz de trazer essas pessoas de volta à vida, como aconteceu por acaso com Frank Poole em 3001, de Arthur Clarke.

Agora Michael Hendricks, neurocientista do MIT joga um balde de água fria nas esperanças da criogenia. (DSCLP)

Em um artigo do MIT Technology Review ele defende que uma mente é muito mais quem uma coleção de neurônios, nossa consciência depende de um sistema dinâmico de sinais elétricos, neurotransmissores, sinapses e interconexões, que um cérebro morto congelado perde muito dessa informação.

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Ele também afirma que um cérebro não é computável, uma posição cada vez mais comum entre os neurocientistas. Miguel Nicolelis, que defende essa tese em seu livro O Cérebro Relativístico, argumenta que as Máquinas de Turing seriam incapazes de lidar com as interações entre todos os componentes de um cérebro.

Claro, em teoriiiiiiia poderíamos criar uma caixa-preta, um computador de capacidade inimaginável simularia cada partícula subatômica de um cérebro, e as interações aconteceriam naturalmente, mas a complexidade disso é exponencial. E não conseguimos simular sequer um elétron com precisão.

A parte falha da abordagem de Michael Hendricks é que a proposta da criogenia não é ler o cérebro e fazer um upload, mas repará-lo, molécula a molécula se for necessário.

Para isso precisaremos de nanotecnologia, trilhões de robôs minúsculos se esgueirando, identificando DNA degradado, proteínas coaguladas, encaixando cada átomo em seu lugar, independente do que está sendo consertado. Isso é inimaginavelmente complexo, pertence exclusivamente ao mundo da ficção científica, mas andar na Lua também era.

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Hoje a tecnologia é totalmente inadequada para ressuscitar um sujeito congelado, mas nenhuma das empresas que oferecem serviços de armazenamento de corpos diz o contrário. Michael Hendricks é injusto ao acusar essas empresas de golpistas. Várias, como a Alcor são inclusive sem fins lucrativos.

Há milhões de coisas que podem dar errado, de terremotos a revoluções, você pode acordar rodando em um computador trans-quântico alienígena revivendo para sempre o momento de sua morte, ou abrir os olhos e estar cercado de pessoas com nariz de porco. A tecnologia pode não ser boa o suficiente, ou você ser um dos primeiros pacientes, 45% do seu cérebro continuar degradado e tudo que te resta é virar comentarista de portal de notícias.

Mesmo assim há uma ínfima, uma não-zero chance de dar certo, É uma aposta em uma improbabilidade mas as pessoas fazem isso todos os dias jogando na loteria. US$ 80 mil é um preço baixo a pagar por imortalidade, mesmo que as chances sejam ínfimas. Pombas, a Luciana Vendramini jantar comigo é bem mais improvável e nem por isso desisti…

Fonte: Business Insider.

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