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Câmeras Toscas?

18/02/2009 às 16:05

Sabe, odeio quando a grande mídia fala sobre fotografia, ou quadrinhos, ou Heavy Metal, ou Ficção Científica, ou seja, qualquer assunto muito específico onde se deva demonstrar muito conhecimento, pois existe uma legião de seguidores que vão crucificar sua opinião superficial sobre o tema. São raras as vezes que os grandes meios de comunicação contratam pessoas especializadas para falarem de assuntos específicos. A última intervenção da mídia que me causou urticária foi um texto publicado na Folha On Line com o título Jovens dispensam a fotografia digital e apelam para as máquinas toscas. Na matéria, ficamos sabendo da nova onda entre os jovens que é usar as antigas câmeras Lomo, de fabricação Russa, para a realização de fotos instantâneas.

A Lomografia (como ficou conhecido o movimento) é uma proposta que existe há muito tempo. Apresentar isso como uma “onda” é no mínimo falta de conhecimento e aderir ao termo de “câmeras toscas” é preconceito. Infelizmente, com o advento da fotografia digital, qualquer coisa que não usar chips, sensores e cartões de memória, é passível de piada, é viver no passado, é nadar contra a maré, ou seja, é ser tosco. Creio que seria chocante, para alguns jornalistas, saber que vários fotógrafos ainda usam filme fotográfico negativo, que usam Cromo ou até mesmo câmeras PinHole. Para alguns deve ser impensável que alguns fotógrafos ainda puxam o filme ou sejam adeptos da revelação cruzada. Para que todo esse trabalho se existem câmeras modernas que fazem tudo sozinhas e, se mesmo assim você errar, o Photoshop da conta do recado?

Assim como quase tudo na cultura, a Lomografia é um movimento. Não pode ser definido pela racionalidade e sim pela espontaneidade. Tudo começou com Austríacos que foram passar as férias na República Tcheca e se valeram de câmeras descartáveis compradas no local para fazer suas fotos. Ao revelar suas imagens encontraram inúmeros defeitos ocasionados pela baixa qualidade do equipamento (inerente a qualquer câmera descartável). Porém, a estética envolvida nesses defeitos é que criou o movimento. A câmera era uma LC-A da fábrica LOMO (Leningradskoye Optiko-Mechanichesckoye Obyedinenie). Hoje, a Lomografia existe para desafiar as regras e racionalizações da fotografia. Tive um professor, que depois de citar dezenas de regras de composição na fotografia, disse que a regra mais importante é que não existem regras. Vejo muito dessa contestação no movimento Lomográfico. Independente da câmera que você possuí, existem algumas “regrinhas” para produzir uma verdadeira imagem lomográfica:

1. Leve sua câmera aonde você for
2. Use-a a qualquer hora - dia ou noite
3. A lomografia não é uma interferência na sua vida, e sim parte dela
4. Não olhe pelo visor
5. Aproxime-se o máximo possível dos seus objetos de desejo lomográfico
6. Não pense
7. Seja rápido
8. Você não precisa saber antes o que capturou no filme
9. …nem depois
10. Não se preocupe com nenhuma regra

A Lomografia é um movimento mundial, muito forte na Itália e Espanha, não apenas uma onda de jovens brasileiros. Tudo é baseado em questionar e desafiar a estética fotográfica. Aliás, esse é o papel de todo movimento cultural relevante.

Visite o grupo de Lomo no flickr que já tem mais de 18 mil membros.

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