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Escolha dois: bom/rápido/barato/logo

19/02/2009 às 1:50

Escolheu?

O que você diria, então, quando um diretor de uma empresa diz que não vai dar treinamento algum para uma equipe porque é caro. Não vai contratar profissionais experientes nas tecnologias porque é caro. Tem um projeto difícil pela frente e demanda performance superior ao concorrente e com qualidade absoluta, ou seja, totalmente livre de bugs.

Loucura? Certamente, mas nunca uma área atraiu tantos loucos e idiotas como tecnologia.

Bom = Qualidade

Em primeiro lugar, a maioria dos gerentes não faz idéia do que é qualidade. É o pior termo possível para projetos tecnológicos porque pode significar objetivos e percepções diferentes de quem está analisando. Uma analogia com carros (adoramos carros, oras) para ilustrar o conceito de qualidade: uma Ferrari é um excelente automóvel, ninguém duvida. O cliente precisa de um automóvel e você entrega a Ferrari dos softwares e o cliente diz: não queria a pintura excelente, não queria a velocidade, nem mesmo o acabamento… tudo o que eu queria era cortar grama mais rápido.

Quando um cliente diz que a qualidade deve ser total, tenha certeza e escreva, grave, registre de alguma forma, o que é a qualidade para essa pessoa. Muitos projetos fracassam porque na percepção dos programadores, os algoritmos, as fórmulas devem funcionar corretamente, com precisão e a interface fica em segundo plano. E o projeto é sistematicamente recusado porque as tonalidades de azul escolhidas não combinam. (sério, eu já ouvi isso)

Barato = Custo

O custo para produzir software está principalmente no profissional. O empresário ruim é aquele que enxerga uma pessoa bem remunerada como um gasto para a empresa sem considerar o valor agregado do mesmo: capacidade de inovação, conhecimento, experiência, abstração, raciocínio e resolução de problemas. Repare que não estamos falando em linhas de código por dia ou pontos de função por semana.

Custo baixo é algo muito relativo, mas normalmente resume-se a vender o projeto por um preço abaixo do que ele realmente vale e depois cobrar dos funcionários horas extras não remuneradas para acobertar a cagada da equipe de vendas. Você sabe, aqueles zumbis que vendem software como se vende aspirador de pó.

Se o custo precisa ser baixo, escolha dois itens para sofrer consequências. Custo baixo com qualidade (interface linda e perfeita, por exemplo), você deve equilibrar em performance e prazo.

Rápido = Performance

O software performático é aquele que executa suas tarefas consumindo o mínimo de recursos do equipamento ou plataforma para o qual foi dimensionado. Programar e projetar software pensando em performance normalmente é necessário cortar alguma coisa dos outros dois. É um jogo difícil, eu sei, já que todos queremos criar o melhor produto possível. E a palavra-chave aqui é “possível”.

Logo = Prazo

Todo projeto precisa de um prazo. Se o prazo encurta, é preciso cortar o escopo, ou seja, a quantidade de trabalho a ser feita para que os outros itens não sejam afetados. Se você precisa modelar um sistema de vendas online, programar, documentar e implantar tudo no menor prazo possível ou imposto (o que normalmente acontece), seja o primeiro a informar qual das outras coisas devem ser cortadas.

Por exemplo, se formos cortar Qualidade, que para esse cliente é interface, ela terá que ser simplificada e todas aqueles badulaques e penduricalhos gráficos devem ser removidos. Se ele precisa também ser muito rápido, então obviamente não será possível reduzir assim tanto o custo.

Conclusão

O que realmente acontece é que as empresas decidem pelo menor prazo e menor custo e prometem menor prazo, altíssima qualidade e performance inigualável, mesmo que seja a primeira versão do software. Ou seja, mentem descaradamente e fazem isso principalmente porque o pessoal técnico não é envolvido.

O profissional precisa alertar, sempre, o quanto antes e se defender de todas as formas possíveis da crise que será gerada tempos depois. Queria saber de vocês o que mais fazer além disso? Negociar, procurar outro emprego, bater de frente, não dar garantia alguma?

E lembre-se sempre que “O ótimo é inimigo do bom” (Voltaire).

Fonte: Bicalho’s Memory About Fraked Up Projects

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