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2009: o ano da ARM?

12/02/2009 às 20:35

Um pouco de história: há muitos, muitos anos, no começo da era da Informática, havia uma enorme "fauna" de sistemas operacionais, computadores, processadores e linguagem. Um "caldo primordial", chamemos assim. Zilog, Mostek, Inmos, Intel, Motorola, Fairchild, Texas Instruments... todas brigando pela supremacia, tentando ditar o rumo da indústria.

Mas, como diria Darwin, a evolução cuida de tudo. Depois de uma sangrenta batalha, a Intel derrotou um a um seus oponentes no mercado de "desktops": Zilog, Motorola, AMD... e os que restaram, procuraram outros nichos (como sistemas embarcados). Já contei parte dessa odisséia antes.

O sucesso dos microprocessadores Atom (ainda que não vendam nada, comparado aos ARM) foi a gota final para que esta última percebesse que, se não corresse (muito e logo), seria tirada da estrada pelo caminhão Intel. Então, novos núcleos foram desenvolvidos, muito mais poderosos, para brigar "em pé de igualdade" com processadores mais poderosos da linha x86, tendo a vantagem dos muitos periféricos agregados e um consumo de potência baixíssimo.

Até pouco tempo, era fácil comparar os vários núcleos ARM. ARM11 era (e é) mais rápido que o ARM9, que é mais rápido que o ARM7. Por "mais rápido" entenda "núcleo mais novo, melhor rendimento por ciclo de clock etc... mas agora, a coisa mudou um pouco de figura. As novas famílias se chamam "Cortex", identificadas por letras: A ("highend", os topo de linha), R ("midrange") e M (os mais simples).

pegatron

Os Cortex A8 são ótimos processadores de 32 bits, com pipelines separadas para instruções de processamento de dados multimídia, "branch prediction", dois níveis de cache, controlador de memória e velocidade de até 1GHz. A família Cortex A9 pode ter múltiplos núcleos.

Vejam como a vida é uma roda gigante: a Motorola (hoje Freescale) "perdeu" a briga dos processadores para a Intel, depois de atrasar demais o 68060. Depois, perdeu o bonde dos PowerPCs. E agora, quando a batalha parecia ganha e apenas a AMD dava algum sinal de resistência, eis que surge uma nova possibilidade: retomar o "controle" do mercado, pelo menos o de "nettops" e de notebooks híbridos.

Explico: segundo o presidente e CEO da ARM, Warren East, alguns notebooks como o Dell Latitude ON E4200, têm um Core 2 Duo para rodar o Windows e aplicações "pesadas" e um ARM, rodando GNU/Linux®, para acessar a internet e ler emails, fazendo a bateria durar muitas horas a mais.  Palavras dele, não consegui confirmar a configuração no site da Dell. De qualquer forma, "netbooks" muito interessantes têm surgido, como o modelo da Pegatron (subsidiária ASUS), que custa por volta dos US$ 199,00 e cuja bateria dura 8 horas.

A Freescale agora tem "poder de fogo" para brigar (e vencer em vários quesitos) a Intel, nesse nicho de mercado. Seu i.MX51, além de ter um núcleo Cortex A8, tem dois aceleradores gráficos licenciados da ATI (OpenGL e OpenVG) além de uma extensa lista de periféricos, como USB, UARTs, I2C, SPI, SPDIF, Ethernet e por aí vai.

A grande questão é: o público leigo, que não se importa com o fabricante do processador, mas com o software que ele roda, está disposto a sacrificar sua comodidade no mundo Windows por horas de bateria a mais? Sim, porque não há versão do sistema de Redmond rodando em processadores ARM e isso faz toda a diferença.

Se a comunidade fosse mais articulada, se tivesse mais (muito mais) gente com visão de negócio e marketing, poderia lançar uma enorme campanha, alardeando as grande vantagens do sistema do pinguim, a facilidade de uso, qualquer coisa que não envolvesse ideologia. A ARM, certamente, adoraria...

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