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Aleluia: um Pequeno Químico que não é para a Geração Mertiolate Que Não Arde

Boas novas pessoal. Um grupo nos EUA está desenvolvendo um kit estilo Pequeno Químico mas como nos velhos tempos, com reagentes de verdade e experiências mais divertidas do que dissolver anilina em água, como os atuais, lobotomizados pela praga politicamente correta. E o melhor: o projeto já está financiado!

18/08/2015 às 20:14

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Eu sei que é algo que os pais de hoje tem dificuldade de acreditar, mas as crianças nem sempre foram pequenos floquinhos de neve frágeis e indefesos. Antigamente a gente brincava de pique, de guerrinha de pedra de barro (que sempre escalava pra de verdade), caía de bicicleta, se ralava, comprava fogos sem os pais saberem…

Mesmo os "nerds" construíam foguetes (tenho a mesma taxa de sucesso do Programa Espacial Brasileiro e as cicatrizes pra provar) e brincavam com seus kits de química.

Não era demérito dar de presente brinquedos científicos, era comum em lojas achar microscópios, telescópios e variações de O Pequeno Químico. Claro que as concentrações eram em níveis homeopáticos, mas a sensação de lidar com ácido sulfúrico e outros reagentes era boa demais, logo a gente começava a experimentar com materiais de limpeza, suco de limão e outros produtos.

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Esses kits estimulavam o cientista que nasce com toda criança e quase sempre é morto por pais, padres e professores mais preocupados em dizer não do que explicar o mundo.

Com o tempo a onda politicamente correta tomou conta do mundo, tudo faz mal tudo é perigoso. Um garoto de 6 anos foi suspenso do colégio por apontar o dedo em pose de arma e falar “pow”. Não servem mais refrigerantes, é impossível comprar um kibe na cantina e provas corrigidas com caneta vermelha? NUNCA, isso traumatiza os floquinhos.

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Isso se refletiu nos brinquedos, hoje os kits de química vendidos para crianças são capados lobotomizados, os tubos de ensaio, os mini-béqueres, os mini-erlenmeyers, os tubos de vidro que a gente invariavelmente quebrava uma ponta em menos de uma semana foram substituídos por plástico. Os reagentes, anilina. A situação é tão triste que a Grow tem exatamente UM kit de ciência em sua linha.

Felizmente há gente lutando contra isso, como Cory James Marriott, que desenvolveu um kit de química como nos velhos tempos, com toneladas de reagentes, vidraria e experimentos. É lindo, lindo.

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O kit custará US$ 600,00 o que soa caro até você ver o preço de um tênis de marca ou uma coleção de Blu-rays da Galinha Preta Pintadinha. Vejam o vídeo do Kickstarter que abriram pra financiar o projeto:

The Incredible Chemistry Set

Agora a parte boa: o projeto pedia US$ 5 mil de financiamento. Faltam 45 dias para terminar e já conseguiram US$ 16 mil.

E só lembrando isso não é um brinquedo, kits assim são um investimento no futuro. Que o digam os pais de Robert F. Curl Jr. Nas palavras dele:

Quanto eu tinha 9 anos meus pais me deram um kit de química. Em uma semana eu havia decidido que me tornaria um químico, e nunca me desviei desse caminho.”

Isso foi em 1942. Em 1996 Robert Curl dividia o Prêmio Nobel de Química pela descoberta dos fulerenos, toda uma nova família de estruturas de átomos de carbono, que levaram à invenção dos nanotubos. Se um dia construirmos um elevador espacial, será graças a um pastor metodista do Texas que decidiu que seu filho aproveitaria mais um kit de química do que um Odyssey, ou seja lá o videogame da moda em 1942.

Fonte: Boing Boing.

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