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Só pode haver um...

05/02/2009 às 6:35

...ou melhor: dois. No livro "Impérios Acidentais", Robert Cringely (pseudônimo de Mark Stephens, famoso jornalista de tecnologia americano) lança uma idéia que, mesmo baseada apenas em sua observação do mercado de computadores ao longo de anos, tem lá um fundo de realidade. Ele diz mais ou menos o seguinte (estou com preguiça de procurar no livro agora, mas vale a leitura): em um mercado estabelecido, há espaço para apenas dois concorrentes. Os outros (se houver) ocuparão um pequeno (e praticamente insignificante) nicho.

Ele aplicou a idéia (se não me falha a memória) ao mercado de computadores "desktop". Macs versus PCs. O livro é antigo (1992 o original, 1995 a versão em português) e talvez seja preciso considerar muitas outras variáveis... mas estamos tendo um "papo de boteco", certo?

Hoje, temos a Microsoft iniciando 2009 com 88,26% do mercado doméstico de sistemas operacionais, contra 9,93% da Apple. Só podem haver dois. E o GNU/Linux®? Consistentes 0,83% (de acordo com a Net Applications).

O óbvio: a Microsoft perdeu muito mercado (tinha 96,36% em 2004, contra 3,25% da Apple e 0,29% do GNU/Linux®). O triste (para a comunidade): ela está perdendo mercado para a Apple, que tem fama de cobrar caro tanto pelo hardware quanto pelo software. Já o sistema do pinguim, que é gratuito, patina com menos de 1%.

Isso nos leva a alguns pensamentos sombrios sobre o futuro: em algum momento não muito distante, a Apple vai empatar com a Microsoft, deixando o mundo como ele sempre deveria ter sido. Outro: nos desktops, o pinguim não vai decolar. Talvez nem mesmo nos netbooks, agora que tio Ballmer entendeu que é um mercado que cresce mais que os outros.

Voltando à idéia de dois competidores por mercado, talvez a pinguinzada pudesse ter alguma chance se houvesse apenas duas grandes distribuições. Isso focaria os desenvolvedores e o suporte técnico. Seria muito mais fácil a adoção por parte das empresas (que não teriam que se preocupar com "falências" de distros, como a do KNG, por exemplo...). Mas o próprio Linus já disse que "...múltiplas distribuições não são apenas uma boa coisa, mas algo necessário...".

Se o futuro pertence à computação distribuída, "cloud computing" ou um novo modelo de cliente/servidor, é um exercício de futurologia. Mas, ao que tudo indica, a briga será entre Redmond e Palo Alto pelos próximos anos.

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