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Sobrou pra Razer: Ouya deu calote em devs do programa #FreeTheGames

Desenvolvedores do programa "Free the Games" alegam que Ouya não entrou com o investimento prometido para os jogos; Razer diz que resolverá o assunto

29/07/2015 às 10:00

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Como conceito o Ouya foi um marco no mercado de games, mas é fato que muitas decisões erradas acabaram por minar a plataforma. Basicamente foi a má gestão que afundou a empresa, que foi agora absorvida pela Razer e como consequência, o console deixará de existir.

Só que esse não é o único problema acerca da Ouya: quando o console foi lançado a empresa anunciou um fundo de investimento chamado #FreeTheGames, criado para atrair desenvolvedores para que criassem títulos exclusivos. Funcionava assim: o estúdio teria que apresentar um projeto, enviando-o ao Kickstarter; caso ele levantasse entre US$ 10 mil e US$ 250 mil, a Ouya investiria a mesma quantia e publicaria o game, que teria um período de exclusividade.

Pois bem: acontece que dois anos depois, a Ouya não honrou com todos os investimentos, e num primeiro momento a Razer deu a entender que faria o mesmo. Aí a coisa ficou feia.

Eis o problema: quando a Razer adquiriu a divisão de software, o nome e a mão-de-obra da Ouya, excluiu a parte de hardware (efetivamente o console já que possui um próprio, o Forge TV) e também quaisquer despesas pendentes. A Ouya veio a informar os desenvolvedores que “dada a dissolução da companhia”, os contratos não poderiam ser honrados. A empresa inclusive alterou as cláusulas do acordo no início do ano, se eximindo de pagar caso falisse ou deixasse de existir.

A situação ficou ainda pior quando desenvolvedores começaram a alegar que representantes da Ouya entraram em contato através do Skype, pedindo encarecidamente que não levassem o caso a público. Outro disse que a Razer ficaria a cargo de honrar os pagamentos que variam entre US$ 5 mil e US$ 30 mil.

Claro, o pessoal ficou possesso. Segundo fontes apenas um quarto dos desenvolvedores tiveram financiamento total através do programa, outro quarto recebeu apenas uma parte e 50% dos devs nunca viram nenhum centavo, mesmo dois anos depois do programa.

Dada a velocidade com que a polêmica escalou nas redes sociais e na internet, o CEO da Razer Min-Liang Tan veio a público esclarecer que a empresa pretende sim honrar as dívidas, e para isso reservará um fundo de US$ 620 mil para quitar todas as despesas que a Ouya deixou pendentes com os estúdios indie.

Como a aquisição não cobre as dívidas, os devs afetados terão que assinar um novo contrato e cumprir com novas cláusulas para só então ter acesso ao dinheiro. Uma delas é disponibilizar cópias gratuitas de seus títulos na plataforma da Razer, em uma quantidade equiparável ao montante recebido. Exemplo: se um game de US$ 1 receber US$ 10 mil, então o estúdio terá que distribuir 10 mil cópias do título gratuitamente.

Não é o cenário ideal, mas ao menos é uma solução para um problema que poderia ter ficado ainda mais feio caso a Razer tivesse dado de ombros. Quanto à posição da Ouya de se omitir da responsabilidade, só lamento.

Fonte: GamesIndustry.

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