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Análise: Uncharted: Drake's Fortune

02/02/2009 às 15:11

Dar início a uma nova franquia é sempre uma tarefa difícil. Quando o jogo possui muito elementos claramente inspirados em outro sucesso, as comparações são inevitáveis e o fracasso é praticamente iminente. Mas com Uncharted: Drake’s Fortune, a história foi diferente. Desenvolvido pelos competentes profissionais da Naughty Dog, o jogo já entre para a seleta lista de games obrigatórios.

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O “maior” tesouro da história

Para começar, é impossível não jogarmos Uncharted e não nos lembrarmos de dois ícones da indústria do entretenimento: Indiana Jones e Lara Croft. Assim como o arqueólogo professor e a siliconada caçadora de tesouros, o protagonista desse jogo também ganha a vida explorando templos, tumbas e demais localidades esquecidas pelo tempo.

Em Uncharted nos vivemos na pele de Nathan Drake. Renomado explorador que acredita ser descendente de Sir Francis Drake, marinheiro inglês que virou herói para a Grã-Bretanha, mas era considerado um pirata por vários outros países. Após encontrar uma pista no caixão do antigo navegante, Nathan inicia uma exploração para encontrar o lendário tesouro de El Dourado e saber mais detalhes da vida do seu suposto antepassado. Com ele está a bela Elena Fisher, apresentadora de um programa que dá nome ao título do jogo.

Embora o enredo aproveite idéias utilizadas em vários filmes do gênero, a forma como ele é contado prende o jogador e nos faz querer saber o que irá acontecer adiante. Some a isso várias reviravoltas, conspirações e personagens bastante complexos e temos uma bela história, mesmo que inove apenas em alguns pontos.

Pule, agarre, esconda-se a atire

Em relação a jogabilidade é onde Uncharted mais se assemelha a série Tomb Raider. Assim como a musa dos videogames, Drake é capaz de de pular, se pendurar, rolar e usar suas habilidades atléticas para resolver alguns quebra-cabeças e ultrapassar obstáculos.

O jogo também acaba roubando da série da Eidos algumas de suas falhas. Errar um salto é algo comum aqui, as vezes por causa da câmera que acaba atrapalhando, quase sempre por causa dos controles que não respondem como deveriam. Os pulos humanamente impossíveis também estão presente e embora pareçam ridículos, não chegam a estragar a diversão. Mesmo assim, a jogabilidade é muito superior a encontrada em Tomb Raider.

Outro ponto que merece ser abordado é em relação as cenas de ação. Quando precisamos trocar tiros com os inimigos há a possibilidade de nos escondermos atrás de objeto, algo semelhante ao visto nos dois Gears of War. Drake pode ficar protegidos por troncos, paredes e caixas e atirar apenas quando se sentir mais seguro. Essa possibilidade já torna os tiroteios muito mais legais que os encontrados nos Tomb Raiders e os produtores ainda adicionaram a possibilidade de trocarmos a posição da câmera quando fazemos a mirar, bastando apertar o botão R3 para que a visão alterne entre o ombros esquerdo ou direito do personagem. E acredite, isso é extremamente útil.

Você ainda poderá se aproximar dos inimigos e lutar com eles. Embora as sequências sejam bastante legais, você quase nunca as usará, já que na maioria das vezes as situações são mesmo resolvidas na bala. Por falar em bala, o jogo permite que só carreguemos duas armas ao mesmo tempo, uma grande e uma pequena. O maior problema é que como a munição das armas encontradas ao longo do jogo são bastante escassas, você passará quase todo o tempo com sua pistola 9mm e uma rifle AK-47. Acho que os produtores poderiam ter incentivado mais o uso de armas diferentes.

Algo que infelizmente foi relegado a segundo plano são os quebra-cabeças. A maior parte do jogo é voltado para a ação e na maioria das vezes você deverá usar a caderneta de Francis Drake para solucionar os desafios, nada muito complexo. Nesse sentido as aventuras de Miss Croft estão melhor representadas.

Delírio visual (e sonoro)

Uncharted o típico jogo que ajuda a vender um console. Se aquele teu vizinho chato vive falando que o PS3 não tem potência, compre o jogo e mostre para ele. Em se tratando de gráficos´, o game é praticamente perfeito. A vegetação, a textura das paredes, o reflexo do metal. A equipe de produção se empenhou na criação do jogo e visualmente é impossível não se encantar.

Mas onde o jogo se destaca mesmo é nos efeitos de fumaça, luz, sombra e água. Entrar em uma tumba com a lanterna ligada e ver a formação das sombras dinamicamente é algo indescritível. Enquanto você avança pelos cenários você verá como a sombra se modifica em relação ao ponto de luz, circundando os objetos e formando um efeito belíssimo.

A água também possui qualidades poucas vezes vistas. Embora o início do jogo, que se dá dentro de um navio, não impressione, espera até ver os rios, cachoeiras e lagos encontrados no jogo. Então, quando chegar na fase onde deverá subir um rio de jet ski, você perceberá porque essa é uma das mais belas águas já criadas.

A parte de som do jogo também brilha. O som das armas e explosões são muito convincentes e enquanto estiver jogando, não estranhe se você parar apenas para ouvir o som de uma cachoeira ao longe ou pensar que há passarinhos dentro da sua sala.

As dublagens também estão perfeitas e você poderá deixá-las em português de Portugal, assim como as legendas.

Pouco a se fazer

Infelizmente Uncharted termina muito rápido. Em menos de 10 horas você já terá passado por toda a ventura e com exceção dos troféus, não há nada a se fazer após o término do game. O jogo não conta com modo multiplayer (e bem que poderia ter um mata-mata online), mas recomendo dar uma mexida nos bônus encontrados no disco. Lá você poderá ver diversos making-offs, todos com legendas em português.

veredicto

Sem a menor sombra de dúvidas, Uncharted é um jogo obrigatório para qualquer dono de um Playstation 3. Um game repleto de ação, gráficos e sons estonteantes, uma boa história e personagens incríveis (tanto os mocinhos quanto os vilões). Só é uma pena ter uma ou outra falha em sua jogabilidade e principalmente, não contar um multiplayer que sem dúvida aumentaria sua vida útil. Mesmo assim, é um jogo recomendadíssimo.

pros
- Bom sistema de mira;
- Gráficos impecáveis, com luz, sombras, e água de cair o queixo;
- Embora um pouco clichê, a história é bastante envolvente;
- Melhor camisa do mundo dos games 🙂

contras
- Muito curto;
- Poucas possibilidades de exploração;
- A falta de um multiplayer;
- Dificilmente você verá cenários tão belos quanto os de Uncharted.

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