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Angra — Secret Garden

Secret Garden é o novo disco do Angra que agora conta com o vocal do italiano Fabio Lione.

27/06/2015 às 20:21

angra

O Angra é o verdadeiro Backstreet Boys do Heavy Metal brasileiro. Foi formado com músicos escolhidos a dedo e teve como empresário o dono de uma das mais importantes revistas de Metal da década de 80 e 90 e, cujas páginas, nunca falaram mal da banda. Ou seja, desde o começo tudo foi Business. Mas, não se enganem. Os meninos eram bons. Mesmo que os outros músicos fossem muito competentes em suas partes, quem foi a mola que impulsionou o sucesso no início da carreira foi o vocalista André Matos, que já tinha uma grande bagagem na música pesada e uma moral conseguida em seus anos a frente da banda Viper. O primeiro disco, Angels Cry (1993), foi bonitinho e tinha um monte de músicas fofas. Legal para ouvir em um sábado parado (esse eu comprei ainda em formato vinil). O segundo disco, Holy Land (1996), foi uma verdadeira obra prima. Uma mistura maravilhosa de rock, progressivo, clássico e influências de músicas brasileiras. Se tivessem parado por ai, já estariam com seus nomes na história. Mas, a banda continuou.

E foi essa continuação que tornou tudo mais traumático. Fora o grande talento da banda, outra coisa gigantesca entre os meninos era a batalha de egos e a arrogância. Digo isso por comprovação pessoal. Já fotografei os membros da banda em Workshops e apresentações de divulgação. A arrogância é algo palpável. Tipo da coisa que acaba com o encanto de qualquer fã. Depois disso a banda entrou em tretas gigantescas, trocou de membros várias vezes, perdeu o vocal inigualável de André Matos e ganhou o competente Edu Falaschi para seu lugar, apenas para perdê-lo posteriormente também por conta de atritos entre os Egos. Depois do fiasco da apresentação no Rock in Rio todo mundo dava a banda como acabada.

Porém, eles voltaram. Rafael Bittencourt (guitarra desde 1991), Kiko Loureiro (guitarra desde 1992) e Felipe Andreoli (baixo desde 2001) se juntaram a Bruno Valverde (bateria) e Fabio Lione (italiano que é vocalista do Rhapsody of Fire e do Vision Divine) para uma turnê de comemoração de 20 anos do lançamento do álbum Angels Cry (e aproveitaram para laçar um DVD e um CD ao vivo dessa turnê). Essa turnê de comemoração reacendeu antigas tretas com os ex-membros que vieram a público e cobraram na cara dura os direitos autorais que, segundo eles, não foram pagos.

Voltando ao grupo, essa nova formação lançou, no final de 2014, o disco Secret Garden, o qual tenho aqui em minhas mãos nesse momento. Gosto muito do Angra. Tenho todos os discos, inclusive os que foram lançados exclusivamente na Europa e Japão. Então não poderia faltar o Secret Garden na coleção.

secret garden

Mesmo saindo em janeiro no Brasil, só agora ele chega até mim. A apresentação gráfica é muito bacana. A capa não é tão colorida quanto dos lançamentos anteriores e as fotos da banda no encarte ficaram bem bacanas. A primeira faixa, Newborn Me começa bem pesada, com uma guitarra bem rápida e rasgante. Fábio Leone canta da mesma maneira que em seu projeto Vision Dinive, um pouco mais agudo e forçado. Nada de grandes pirotecnias nessa primeira música, apenas música rápida. Na segunda música, Black Hearted Soul, temos um coral bacana no começo e muitos solinhos de guitarra, ou seja, aqui já está mais parecido com o Angra de antigamente.

Não vou falar de música por música (existem sites especializados em fazer isso), mas gostaria de destacar Final Light, com ritmo diferenciado, Storm of Emotions, que tem uma batida mais lenta e foi o primeiro single do disco, e Secret Garden, uma música que parece não ser deste disco, por ser diferente de todas as outras, e que foi totalmente cantada por Simone Simmons (da banda Epica) com sua habitual competência, porém sem a pegada operística tradicional. Falando em participações especiais, Doro Pesch, uma das divas no metal na década de 1980, aparece na música Crushing Room, uma composição com peso e técnica. O disco fecha com Silent Call, uma música tocada com violão e com a voz de Rafael Bittencourt. Aliás, o vocalista faz várias participações durante as músicas. Muitos estão falando como ele é bom cantando e que deveria ter assumido inteiramente os vocais da banda. Eu não achei. Ele deve continuar na guitarra que é sua especialidade.

O que achei do disco?

Eu gostei. Vendo algumas reações pela internet, percebi que a maioria dos críticos brasileiros está babando no ovo da banda violentamente. Chamando o disco de melhor coisa que fizeram em anos e que eles voltaram em sua melhor forma. Eu gostei, mas só isso. Ouvi ele quatro vezes até agora e não causou a empolgação que deveria. E acho que tenho uma razão para isso. O Angra modernizou sua música, se tornou uma banda atual e voltou com um vocalista de calibre internacional. Mas, perdeu sua alma, aquilo que fazia deles uma banda única. E perder o diferencial é quase a morte para uma banda de Heavy Metal. Você se torna apenas mais uma. O novo disco do Angra poderia ser o novo disco de uma dezena de bandas que tocam pela Europa, América Latina ou Japão. Sei que falar de originalidade é complicado em um estilo musical que não não tem muito espaço para mudanças, mas os discos do Angra costumavam ser únicos. E isso ficou no passado. Vale a pena comprar? Sim, é um bom álbum, produzido com primazia e com músicos competentes. Mas, um pouco sem alma.

Angra - Storm Of Emotions (Official)

Quer comprar o disco? Infelizmente não achei em nenhuma das grandes lojas online. Tem que apelar para o Mercado Livre.

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