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Combatendo tuberculose via créditos de celular

22/01/2009 às 14:32

Embora a tuberculose esteja erradicada em todo lugar do mundo cuja renda per capita seja maior que duas mariolas, ela está longe de ser relegada como forma de morte apenas de personagens femininas do Romantismo. Ainda é um problema sério, afinal 90% do mundo nem sabe o que é uma mariola.

O problema mais sério entretanto nem é a Tuberculose em si, e sim adestrar seus portadores. A maioria dos pacientes não dá a mínima bola para as instruções dos médicos, então assim que se sentem bem, param com a medicação, e o tratamento completo significa uns bons seis meses tomando remédio todo dia.

Parando antes eles dão chance para que os bacilos mais resistentes à medicação sobrevivam e se reproduzam, gerando uma nova geração mais difícil de matar com os antibióticos existentes. Sim, é Darwin puro.

Tuberculose casca-grossa assim demanda remédios mais caros, tratamento mais complicado e tudo mais que NÃO se encontra no interior da Miserábia Setentrional.

A saída é incentivar o paciente para que este tome seus remédios de forma correta durante o tempo correto. Mas... se nem a perspectiva de SAÚDE faz com que o sujeito siga o tratamento, como conseguir que esse idiota se medique?

Apelando para a ganância, claro.

Um sujeito do MIT chamando José Gomez-Marquez desenvolveu um projeto que funciona assim:

O paciente recebe uma fitinha que reage à presença de medicação anti-tuberculose na urina. Se a medicação estiver presente, aparece um código. Esse código deve ser enviado via SMS para uma central.

Esse procedimento é repetido todo dia. Se no final de 30 dias o paciente tiver enviado os códigos corretos, ganha uma minutagem em seu celular.

Ao contrário de concursos de blogs que acreditam na honestidade de seus participantes (e se dão mal com isso) as fitinhas são emitidas por um dispositivo a cada 24 horas, evitando que um esperto irrigue todas de uma vez e pare com a medicação.

O sistema está sendo testado no Paquistão, e em breve expandirão para um número maior de participantes.

Embora do ponto de vista Darwinista seja interessante que quem é burro o bastante para não tomar a medicação bata as botas, há de se lembrar que isso cria microorganismos mais resistentes que não necessariamente vão infectar quem não gosta de tomar remédio, então cai no mesmo problema do motorista bêbado. Que ele se arrebente no poste não é problema, problema é ele se arrebentar num ponto de ônibus com passageiros.

Fonte: Technology Review

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