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Banda Larga: Que inclusão digital?

17/01/2009 às 18:36

A pesquisa entre os leitores do Meio Bit, com mais de 1400 participações (obrigado!) foi bastante proveitosa para mostrar um pequeno retrato do status da infraestrutura atual do Brasil: estamos com serviços ruins, caros, capengas e com baixo índice de inclusão mesmo entre as pessoas que podem pagar.

Parece impressionante isso, mas é típico de governos, não apenas do nosso, liderado pelo primeiro-cefalópode. O governo brasileiro precisa parar com esse paternalismo besta e promover a inclusão digital entre quem pode pagar também. Ou vocês acham normal a discrepância entre velocidades, preços e qualidade de atendimento?

O primeiro passo para um país voltado para a tecnologia é garantir o ambiente propício. A base de tudo é energia elétrica. Isso mesmo. O Brasil precisa continuar investindo não apenas na geração e transmissão de energia elétrica, mas pesquisar, de verdade, com cientistas, empresas e universidades, formas de otimizar o consumo e a geração e passar a liderar. Nada de ficar importando tecnologia externa para gerar energia de fontes renováveis.

Com o nossos elétrons de cada dia garantidos e seu uso racional, o outro fator importante é comunicação barata e acessível. Se a banda larga de 1Mbps custasse 9,90 por mês, teríamos muito mais famílias pagando pelo serviço. Para isso, concorrência, estímulo fiscal e financiamento de computadores, com pelo pelo menos 3 operadoras disputando consumidores no tapa.

Computador é caro? No Brasil, não é. Aqui os computadores são ABSURDAMENTE caros. Somos multados* por consumir produtos de tecnologia como se estivéssemos nos banhando em perfume francês, definitivamente um produto de consumo de luxo.

Depois que tivermos energia e infra no lugar, com muitos brasileiros com acesso a computadores baratos e financiados a perder de vista, sem necessidade de manivelas para poder carregar baterias (dica: o Brasil tem bastante Sol), podemos construir uma super-indústria de software, com toda a inclusão digital que pudermos obter, no plano educacional.

A Índia fez uma reforma no ensino, que começou na década de 80 do século XX e colhe os frutos hoje, exportando bilhões de dólares em software e serviços. O Brasil precisa de um plano estratégico de estado para os próximos 20 anos e não um plano de governo de 4 em 4 anos.

Banda larga, a pesquisa mostrou, é um artigo de luxo. Leia o comentário de um leitor de Portugal:

Aqui em Portugal, pago por TV + NET + Telefone por cabo, 50,50 Eur (R$ 156 )por mês. NA TV tenho 63 Canais, a NET é de 18 Mbps, e no telefone, tenho chamadas grátis para números da rede fixa em qualquer dia e horário .... E já acho caro aqui…”.

Depois dessa, tenha um bom sábado, porque eu vou aproveitar a minha caríssima internet de 2Mbps.

* Já fui perguntado algumas vezes porque eu uso o termo multa para os impostos no Brasil. É fácil explicar. A quantidade de impostos que pagamos no Brasil é tão alta, que considero ela punição ao consumo e à produção. O governo brasileiro leva 40% da riqueza do país e devolve em troca apagões e mensalões. Impostos suecos, saúde e educação nigerianos. Só pode ser punição.

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