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Governo empacando venda de armas para o Iraque. Thanks Dilma

O Brasil é tão acostumado a não dar certo que se sabota quando dá. Nossa indústria de defesa, por exemplo, é bem respeitável, ou tenta. Não que adiante. Agora o Iraque está de olho em uma compra grande de armamento, mas o Governo está embarreirando. Motivo? Tem medo que o ISIS fique com raivinha e nos ataque durante as Olimpíadas. Complicado querer vender armas E ser País Nice Guy ao mesmo tempo.

09/06/2015 às 23:41

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O Brasil é um país esquizofrênico. Ele quer ser legal com todo mundo, fica em cima do muro em qualquer assunto, mas quer ser parte do Conselho de Segurança da ONU.

Adoramos nos descrever como pacíficos, mas somos uns dos maiores exportadores de armas do mundo. Em 2011 exportamos US$ 330 milhões. Os EUA, os grandes vilões, US$ 807 milhões. Em 2014 nossas exportações subiram pra US$ 600 milhões.

Embraer, Avibrás, Engesa, Taurus e outras empresas faturam muito, criam empregos e geram tecnologia com a venda de seus produtos.

“Ah mas é feio vender armas”.

Que coisa linda, como está sendo seu primeiro dia de vida? O Mundo não é bonzinho. A tribo do lado vai invadir e tomar suas terras, se você não tiver uma pedra maior. A grande questão pragmática é: você vai vender pedras pros outros e ganhar um trocado, ou vai passar a vida importando pedras?

Nós vendemos armas, é um fato. Algumas muito boas, o Super Tucano é um excelente vetor contra-insurgência, o ASTROS é um sistema de bombardeio de saturação tão bom que na 1ª Guerra do Golfo os dois lados usavam. Nossos blindados de reconhecimento, feitos pra andar em estradas brasileiras, acham zonas de guerra quase um playground.

O Iraque sabe disso. Eles são fregueses antigos. Ibrahim Al-Jaafari, Ministro da Defesa do país esteve no Brasil atrás de um posicionamento nosso em relação ao ISIS. O Brasil, como sempre, deu o maior apoio sem se comprometer com nada.

O interesse do Iraque não é doação, segundo a Jane Defence Weekly, uma das mais conceituadas revistas da área de Defesa, a lista de compras incluiria:

1 — EMB 314 Super Tucano

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2 — VBTP-MR Guarani

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Blindado nacional para transporte de tropas (9) ou reconhecimento, construído pela Iveco. 600 km de autonomia, motor diesel de 383 hp, 110 km/h de velocidade, tração nas 6 rodas.

3 — Agrale Juma Marruá

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Viatura de uso múltiplo, 4×4, parte da família de veículos militares da Agrale.

4 — Sistemas Astros 2

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Quando você absolutamente positivamente quer acabar com o dia do Inimigo, use um MLRS como o Sistema Astros, da Avibrás.

Exercito Brasileiro — Projeto Astros 2020 - Primeiros tiros das Viaturas MK6.

5 — ALAC — Armamento Leve Anti-Carro, de 84 mm

ALAC

Projeto do CTEx, GESPI e IMBEL, o ALAC é uma versão kibada inspirada no venerável Carl Gustav sueco e do AT-4 americano, lança com precisão uma ogiva de 2,4 kg em alvos a uma distância entre 300 m e 500 m, penetrando (ui) até 300 mm de blindagem.

6 — Radar Tático M60 SABER

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Desenvolvido pela BRADAR, subsidiária da Embraer, o M60 SABER é um radar tridimensional capaz de rastrear 60 alvos simultâneos em um raio de 60 km e altitude de até 5 km. Criado para uso em campo, é 100% portátil e pode ser montado em 15 minutos por três homens.

Tudo isso seria vendido para ser usado contra o ISIS, rendendo o melhor de dois mundos: mais dólares em nossos bolsos e menos terroristas na face da Terra, mas segundo analisa o blog Poder Aéreo, não vai acontecer, não rapidamente.

A diplomacia brasileira está colocando um freio nas negociações, e… bem, melhor a citação:

Tanto o Itamaraty como a área de Assuntos Estratégicos do Ministério da Defesa brasileiro, chefiada pelo general Gerson Menandro Garcia de Freitas, temem que uma aproximação do Brasil com o Iraque, nesse momento, possa atrair para o país — que se prepara para promover os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro — a vingança de algum grupo terrorista ligado à selvageria do EI.”

Isso mesmo que você leu. Nosso Ministério da Defesa está com medo do ISIS.

O mais provável é que a diplomacia brasileira só autorize as vendas dos armamentos brasileiros na metade final de 2016 — se, até lá, os iraquianos mantiverem seu interesse nesses produtos.”

Ou seja: nós nos rendemos a uma possibilidade de terrorismo. O Brasil esquizofrênico quer ser um grande player no mercado mundial de armamentos, mas não quer que quem esteja do lado errado desses armamentos fique com raivinha da gente.

Imagine se o Itamaraty descobre que nossos Super Tucanos derrubam aviões de traficantes malvados aqui do lado. Se bem que quem puxou o gatilho foi um país com cojones, não é nosso caso.

Fonte: Poder Aéreo.

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