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Estudantes criam carregador de smartphone que usa energia das plantas. Riiight

Essa é divertida — três estudantes chilenas criaram um equipamento revolucionário, mágico: um dispositivo que carrega smartphones usando a… energia das plantas. O melhor de tudo é que não são picaretas, elas realmente acreditam. O que no fundo é uma pena, complicado uma faculdade de engenharia que forma estudantes que não conhecem os princípios de uma… pilha.

14/05/2015 às 15:24

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Dizem que pouco conhecimento é pior do que nenhum conhecimento. É verdade. Por isso tanta gente perde tempo tentando inventar moto-contínuos, denunciar os perigos do glúten e montando páginas anti-vacina no Facebook.

O maior risco de pouco conhecimento é reinventar a roda. Ok, talvez não, o maior risco é cair na mídia que adora uma bobagem que possam tirar de proporção e lançar como a Tecnologia Que Vai Salvar o Mundo da Semana.

A desta semana é esta bobagem mui suspeitamente chamada de E-Kaia, criada por estudantes chilenas.

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Elas são universitárias (provavelmente de Humanas) em Valparaíso e criaram um “biocircuito” capaz de extrair “energia” das plantas e carregar um smartphone. Tem até vídeo, e você sabe, se está no YouTube é verdade:

E-Kaia

Há um probleminha. Não existe “bioenergia” fora de sites esotéricos e revistas em quadrinhos. Se você descobriu um campo energético novo emanando de todas as coisas vivas você não monta um carregador de celular, você ou está a caminho de Estocolmo pra receber um Nobel ou de Coruscant pra ser sagrado Mestre Jedi.

Pior: o tal projeto ganhou prêmios, provavelmente de um juri de pedagogas, e as meninas receberam umas merrequinhas pra dar prosseguimento às pesquisas.

Esperemos que com essa verba elas consigam contratar um cientista de verdade, para explicar que nada mais fizeram do que criar uma… pilha. Note os eletrodos do breguete:

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Reparou? Dois eletrodos, um de cobre outro de zinco provavelmente. Onde já vimos isso? Sim, no colégio. É o princípio da Pilha de Volta, criada em 1800 por Alessandro Volta.

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O funcionamento é bem simples: discos de cobre e zinco, separados por discos de tecido embebido em solução de ácido sulfúrico ou salobra. A reação química gera elétrons livres e no final temos uma corrente elétrica. O termo “pilha” que usamos hoje para baterias não-recarregáveis vem da invenção de Volta (para saber mais).

Ao enviar dois eletrodos num material como o solo repleto de matéria orgânica você vai obter uma corrente elétrica, ainda mais se for um solo bioativo cheio de bactérias que adoram acidificar o terreno.

Não é preciso ir muito longe. Toda criança fez, ou deveria ter feito uma bateria com limão.

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É uma forma simples de aprender que eletricidade não é coisa de outro mundo, é algo perfeitamente natural, que não demanda explicações esotéricas e mágicas. Não é “bioenergia” do limão, é uma simples reação química. Mas aí não se consegue verba nem manchetes parabenizando em sites alternativos, né?

Fonte: Tech TI.

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