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Projeto da Apple com escolas de Los Angeles não é exatamente um sucesso

US$ 30 milhões depois as escolas de Los Angeles descobriram que há um bicho podre na maçã. O sistema de ensino estado-da-arte maravilhoso prometido pela Apple não foi entregue, os iPads sumiram, os professores odiaram e basicamente o projeto fracassou de forma espetacular.

16/04/2015 às 12:34

Simpsons - Ralp Coleco Computer

Não que eu ache que há alguma, visto que envolve governos e megacorporações, mas as boas intenções pavimentam o caminho pro Inferno e prover iPads para estudantes é uma ótima intenção. Pena que na prática o plano do Distrito Escolar Unificado de Los Angeles, o segundo maior do país não deu muito certo.

Em 2013 o Distrito assinou um acordo com a Apple onde seriam fornecidos iPads e software para evenualmente todos os estudantes da região. O pacote inicial, de US$ 30 milhões, incluía 2.100 iPads, a US$ 768,00 cada e livros-texto convertidos e produzidos para o equipamento. O serviço de produção editorial seria feito por uma terceirizada, a Pearson, ao custo de US$ 200. POR IPAD.

Se você está achando caro, está certo, é uma facada mesmo. Só o custo dos livros já deveria acionar um monte de alarmes, mas calma que piora.

Antes de o programa completar um mês, um terço dos 2.100 iPads já tinha desaparecido. Os alunos já tinham aprendido a quebrar a segurança e instalar apps próprios, e os tais livros de Pearson nunca apareceram ou quando existiam eram uma bela bosta.

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Há tantas irregularidades que o FBI entrou no circuito, e agora o novo superintendente Chalmers do distrito avisou que o projeto vai ser cancelado. Orçado em US$ 1,3 bilhão, a Apple não verá mais essa grana, e ainda tentarão receber de volta parte dos US$ 30 milhões já gastos.

Segundo David Holmquist, advogado do Distrito:

Estamos chegando no final do ano escolar, a maioria dos estudantes ainda não conseguem acessar o material da Pearson em seus iPads.”

Agora avisaram que não vão aceitar ou pagar por novos materiais da Apple ou da Pearson, e já encomendaram livros de matemática tradicionais, visto que o material prometido não chegou. Esse é o resultado de tecnocratas achando que resolvem tudo com gadgets, seja um iPad, seja um OLPC.

Qualquer um não-pedagogo diria na hora que não é uma boa idéia entregar um equipamento de quase US$ 800 nas mãos de um estudante, mesmo descontando roubo as chances de perda ou do negócio parar no eBay são grandes demais.

Se não tivessem sido levados pelo hype dos tablets teriam entendido que dar Kindles para os estudantes faz muito mais sentido, e é muito mais barato, mas quem já viu governo trabalhando assim?

Das 69 escolas no pacote, só duas usam os livros da Pearson, e em média elas têm pelo menos um problema por dia. Pra você ter uma idéia de como o troço é ruim, o sistema não é adaptável pra alunos que não falam inglês, e não tem… testes online.

Isso mesmo, um sistema de educação digital online que não tem… testes. São todos feitos… em papel. Ah sim, também não há relatórios estatísticos de uso. Até eu já fiz sistemas de e-learning melhores que isso.

A Apple pelo visto deixou correr solto, e agora vai sofrer um belo baque na imagem, ainda mais em época de austeridade, onde há 343.923 outros tablets no mercado, bem mais baratos e adequados a um uso simples como ferramenta de aprendizado.

Bem-feito, a Apple empurrou com a barriga, contratos governamentais não são cool e não merecem atenção, então agora aguentem. Quando essa bomba estourar o preju em imagem e valor de ações será bem maior que US$ 30 milhões.

Fonte: Ars Technica.

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