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Nada não, só uma estrela explodindo

Se uma estrela explodir e ninguém estiver olhando ela faz barulho? Não, mas faz um belo show. Que o diga a Nova Sagittarii 2015, a mais nova estrela a dar show na nossa galáxia, fora a Miley Cyrus.

23/03/2015 às 20:06

GKPersei-MiniSuperNova-20150316

Nova Persei 1901. Ou os caquinhos.

Quando chega no fim de sua vida uma estrela como o Sol esgota seu combustível. Ela esfria, suas camadas exteriores se afastam, gerando uma gigante vermelha. Ao mesmo tempo seu núcleo, sem a energia da fusão para contrabalançar a gravidade, desaba em si mesmo. A energia desse colapso é suficiente para fazer com que a fusão se reinicie, dessa vez com hélio, gerando carbono e oxigênio.

Isso não dura muito tempo, e poucas estrelas possuem massa suficiente para atingir a temperatura de um milhão bilhão de graus para fundir carbono. A fusão é encerrada, as camadas exteriores se espalham, formando uma nebulosa, e o núcleo, do tamanho da Terra mas com a massa do Sol brilha com energia térmica acumulada, sem gerar mais energia, esfriando aos poucos. Isso é uma anã branca, não aquela dona do Pânico.

Se essa anã branca tiver uma companheira, e não for a Fernanda Montenegro para não gerar polêmica, dependendo da proximidade matéria da superfície da estrela companheira pode ser capturada, e vai se acumulando na superfície da anã.

Em algum momento a massa acumulada é comprimida e aquecida pela gravidade o suficiente para iniciar um processo de fusão, mas lembre-se, isso normalmente acontecia no núcleo da estrela, não na superfície, mas a superfície foi ejetada pro espaço faz tempo. Temos uma reação termonuclear nua.

Em pouquíssimo tempo, às vezes dias, uma estrela quase invisível, do tamanho da Terra, tem um pico de energia que produz uma luminosidade 100 mil vezes maior que o Sol. Isso pode acontecer várias vezes durante a vida da anã branca.

Novas são relativamente raras, ocorrem em média 40 vezes por ano na Via Láctea. A mais recente foi a Nova Sagittarii 2015, primeira nova na Via Láctea descoberta desde 2013. Ela atingiu um pico de magnitude 4, e está enfraquecendo já.

Magnitude 4 é uma estrela razoavelmente brilhante. A escala é inversa, Júpiter tem magnitude – 2,24; Vega tem magnitude zero. A estrela mais fraca visível a olho nu tem magnitude 6,5.

Qual a relação entre uma anã branca e uma estrela normal? Na imagem Sírius, com magnitude de – 1,47 e sua companheira, Sirius B, a anã branca:

Sirius_A_and_B_Hubble_photo.editted

E quanto à Nova Sagittarii 2015? Eis a danada:

Nova_Sgr_2015_animation

Um dia humanos vão testemunhar de perto um evento desses, e a ponte da nave será enchida de UAUs e seja lá qual for a expressão em chinês ou hindi equivalente a “PQP!”.

Nota: as Novas são rotineiras, o bicho pega mesmo nas supernovas e, em casos extremos, nas hypernovas.

Fonte: ST.

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