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Brasil que dá certo: duas cientistas brazucas ganham prêmio da UNESCO

A má-notícia é que parece que o plano de dez anos (o tempo de criar a SpaceX) para tornar o Brasil referência mundial em sandália de pneu não deu certo, mas por outro lado duas cientistas brasileiras ganharam um prêmio da UNESCO, se destacando entre pesquisadoras do mundo todo. Dá até pra dizer que não foi uma década totalmente perdida…

13/03/2015 às 10:35

yayciencia

Thaisa e Carolina

O Prêmio L'Oréal-UNESCO para mulheres na ciência existe desde 1998, e além do prestígio inclui um agrado de US$ 100 mil para cada uma das vencedoras, entre mulheres cientistas do mundo todo que trabalham com ciências da vida ou materiais (sorry, humanas). Também mantém verbas de pesquisa de US$ 40 mil para 15 jovens cientistas, por um período de dois anos.

São 5 grupos geográficas onde as vencedoras são escolhidas: África e Oriente Médio, Ásia-Pacífico, Europa, América Latina e Caribe e América do Norte. Ou seja: o Brasil compete com os outros 521 países da América Latina mais os 7.473 países-ilhas do Caribe, e mesmo assim fazemos bonito.

Este ano são duas brasileiras vencedoras é a Doutora Thaisa Storchi Bergmann, que não poderia competir em mais desvantagem. Além de ser mulher, o que é garantia de que terá que brigar muito pra ser respeitada (Annie Jump Cannon que o diga) ela ousa estudar astrofísica no Brasil, país onde um Deputado dá uma canetada e cancela nossa participação no maior projeto astronômico da atualidade, e onde o maior telescópio do Espírito Santo custa menos que 2 PS4s.

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Thaisa é professora do Departamento de Astronomia do Instituto de Física da UFRGS, onde pesquisa buracos negros, estruturas galácticas e matéria escura. São mais de 100 pesquisas publicadas.

Ela conseguiu isso tudo mesmo com as condições precárias da ciência brasileira. O site dela no Instituto de Física da UFRGS por exemplo foi feito pelo datilógrafo da AEB.

Carolina Horta Andrade é formada em Farmácia, com doutorado em Química Medicinal e Computacional, e líder do Grupo de Pesquisa do CNPq LabMol — Laboratório de Planejamento de Fármacos e Modelagem Molecular da Universidade Federal de Goiás, que tem verba pra estagiário de Webdesign.

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Ela deve ter odiado fazer essa foto…

Entre outras pesquisas Carolina está estudando o tratamento da leishmaniose, e isso lhe rendeu o Prêmio L'Oréal-UNESCO “Talentos Internacionais em Ascensão”, o que significa a coisa que cientistas mais amam: verba de pesquisa.

Parabéns a ambas. Fazer ciência no Brasil é algo complicado, se destacar entre tantas outras cientistas no mundo, é por si só um mérito e tanto. Em nome de todo mundo que é beneficiado com a Ciência, agradeço por não terem se contentado em ser referência mundial em sandália de pneu.

Fonte: Itamaraty.

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