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Kyocera demonstra celular carregado via energia solar, mas calma.

Outro dia, outro projeto pra salvar o mundo, dessa vez a Kyocera, que apresentou um protótipo de celular com carregador por energia solar. Lindo, na prática, assim como grafeno só funciona em laboratório.

11/03/2015 às 18:03

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O Sol é punk. Ele converte a cada segundo 4,26 milhões de toneladas de matéria em energia. Isso dá 9,192 × 1010 megatons; 384,6 yottawatts; ou um monte de DeLoreans. Para dar uma base de comparação a bomba de Hiroshima transformou 700 miligramas de matéria em energia.

Essa energia do Sol é irradiada para o espaço e 99,99999999999999% jogada fora, uma fração ínfima atinge a Terra, meros 174 petawatts, o que é watt pra cachorro. Em uma hora a Terra absorve mais energia do que usada pela Humanidade em um ano. Um ano de energia solar equivale a todos os estoques de todas as outras reservas energéticas do planeta, somadas.

Problema que é caro aproveitar essa energia se você não for um vegetal, a eficiência das células fotovoltaicas ainda é bem baixa, menos de 40% e dependendo da tecnologia ela leva entre 1 e 4 anos pro breakeven, o ponto em que ela gerou mais energia do que foi gasto pra sua criação.

Aí vem a Kyocera e apresenta um protótipo de celular com carregamento solar.

É uma péssima idéia.

Segundo eles a tecnologia Wysips, criada pela Sunpartner, consegue gerar até 5 mW/cm2 em condições de pico. Condições de pico em teoria são os 2 min no dia mais limpo e sem nuvens do periélio, quando a Terra está mais próxima do Sol, e você está em uma nave espacial orbitando Mercúrio. Na prática as condições de pico estão longe das normais, mas vejamos se a matemática se sustenta:

Peguemos a área de um iPhone 6. Incluindo as bordas, são 92,53 cm2. Isso dá um total de 462,65 mW. Usando a boa e velha Lei de Ohm, e assumindo (erroneamente) que a tal tela conseguiria suprir 1,2 A como um carregador de parede, obteremos… 0,41 V.

O carregador do meu iPad fornece 5 V a 1,2 A. Segundo a Física ele tem que entubar 6 watts na brincadeira. Dadas as perdas ele é certificado como 10 W.

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Perdas aliás são o grande problema. A média de energia solar recebida na superfície da Terra é de 1 kW/m2. Isso significa que temos 100 mW por cm2. Na prática estamos longe de captar essa energia toda, o Sol, exceto quando Josué não quer, se move, saindo do ângulo de incidência ideal. Nuvens atrapalham, e existe um negócio chamado noite que diminui em 50% a janela de carga.

Janela aliás é a grande sacada — você precisará deixar o celular o tempo todo exposto ao Sol, o que gera um problema: calor.

A idéia do celular carregado por energia solar é falha pois não entende que o modelo de uso dos celulares é incompatível com algo que dependa de exposição ao Sol. Mesmo que você ande na rua o tempo todo, como disse um leitor do Reddit, “Agora vou poder aproveitar a ampla oferta de luz solar do meu bolso”.

Vai sair do protótipo? Dificilmente. É uma boa idéia? Ainda não, mas será, quando a tecnologia for mais eficiente, mas mesmo assim isso nunca será uma solução para uso interno, por um simples motivo: as Leis da Física.

Uma lâmpada que consome 10 W mesmo que converta isso em luz visível com 100% de eficiência (uma lâmpada incandescente tem 5% de eficiência) você terá 10 W espalhados pelo cômodo inteiro. A menos que seja uma sala muito pequena a tela do celular só representará uma fração de 1% da área total iluminada. Divida os 10 W por essa área e veja. Não rola.

“Ah mas mesmo que for só uma carguinha já ajuda”

Desliga o NFC que você de qualquer jeito não uso e já economia os 3 ergs que ganharia mendigando fótons das lâmpadas fluorescentes do escritório onde você passa a maior parte do dia.

Fonte: TQ.

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