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CSI: Cyber “vaza” pra internet antes da estréia

Conforme esperávamos, CSI: Cyber é uma bela farofa, escrita por gente que ouviu falar da tal Internet e um dia pretende até dar uma olhada, mas melhor que isso, o primeiro episódio “vazou” um dia antes da estréia. Vamos todos fingir que foram hackers malvados, senão o marketeiro da CBS chora…

10/03/2015 às 16:10

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Eu escrevi outro dia sobre CSI: Cyber, a versão modernosa digital de CSI que tinha tudo pra ser divertidíssima pelos motivos errados. A série, que estreou dia 4, foi atropelada quando hackers malvados invadiram a segurança dos computadores da CBS, baixaram uma cópia em excelente qualidade e disponibilizaram em diversos sites de torrents, dia 3. Rastreando o vazamento, ele surgiu primeiro em uns sites de streaming meio esquisitos, daqueles que ninguém usa. Suspeito? Não, magina.

O FBI foi informado, Obama exigiu providências, o ISIS falou que não tem nada a ver com isso mas… sério, eles acham que nós somos retardados? Soltar o piloto e dizer que “vazou” é um dos truques mais velhos do mundo, é do nível Peladona de Congonhas. Há dois tipos de sites que reportam esses vazamentos como notícia séria. Os retardados e os coniventes. CO NI VEN TES.

Por outro lado a disponibilidade do episódio na Locadora do Paulo Coelho tornou conveniente apreciar essa pérola da dramaturgia cibernética, e crianças, é melhor do que eu esperava.

spoilers

Na série a Patrícia Arquette é a Agente Especial Avery Ryan do FBI, uma psicóloga behaviourista que se apresenta como “detector de mentiras humano”, o que soaria mais cool se detectores de mentira não fossem falhos e mesmo nos poucos Estados dos EUA que aceitam como prova em tribunal, o réu tem que concordar com sua utilização.

Ela é uma espécie de Cal Lightman, da excelente (no começo) Lie to Me. Avery foi trabalhar com o departamento de crimes cibernéticos depois que um hacker invadiu seu computador, expôs dados dos pacientes, ela perdeu a licença e um paciente acabou morto.

A Divisão de Cyber Crime do FBI lembra uma mistura do NORAD de Jogos de Guerra com a sala de controle da SpaceX:

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Como toda psicóloga de televisão ela anda armada, é exímia atiradora, mestre em defesa pessoal e chuta portas.

A série é cheia frases tipo É preciso um hacker para caçar um hacker. No piloto, que foi um crossover com CSI normal ela demonstrou aquele velho iceberg da Deep Web, com a afirmação completamente infundada de que só 3% da WEB é “visível”.

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Tá pensando o quê? Não se consegue um trilhão em Déficit Público sem agentes do FBI viajando de jatinho. Se em Criminal Minds rola, em CSI: Cyber também! (ah sim, nessa cena o piloto não queria fazer a viagem. Ela olhou pro sujeito, deduziu que ele tinha uma amante e o cara desconcertado mudou de idéia)

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Ele mesmo, o Fat Neil, de Community. Só que confiante, mega-power hacker “white hat”.

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No episódio uma quadrilha hackeou babás eletrônicas e as usa para identificar os hábitos dos pais de bebês que serão sequestrados e vendidos para adoção no estrangeiro. Na cena acima o Fat Neil está conversando com o Hacker do Mal que Virou do Bem e eles descobrem (vendo o site do fabricante) que a câmera grava em um cartão de memória. Vão olhar, o cartão havia sido removido.

“Eles são espertos, cobriram seus passos” — em seguida rola uma cena com o sequestrador em CGI removendo um cartão de memória igualmente em computação gráfica, com altos efeitos sonoros afinal CSI consegue dramatizar TUDO!

Eles recolhem os gadgets da família do bebê sequestrado, o que faz sentido, mas para garantir colocam em “sacolas de Faraday” afinal desligar ou tirar a bateria é para os fracos. A animação é linda, o personagem explicando que elas formam um escudo invulnerável, enquanto rios de Wi-Fi rebatem na tal sacola.

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Pesquisando os dados dos pais, vão pras redes sociais. Curiosamente o Facebook é mencionado no piloto mas ninguém usa, preferem um tal de… Friend Agenda:

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Pesquisando nos gadgets os hackers do bem do FBI usam o Malwarator Tabajara 3000, um software de segurança que não só descompila executáveis em seu código-fonte (eu sei você tinha isso pro Clipper) como realça em vermelho as partes que são Malware:

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O hacker do mal é tão gente boa que facilitou, o malware se chama… malworm. Dá pra ouvir os roteiristas se congratulando pela sacada genial.

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Depois de algumas perseguições, interrogatórios dignos do Gibbs de NCIS, dois sequestradores são mortos. O legista do FBI, que por algum motivo é um militar chama os agentes para a sala de autópsia, ou melhor, para a versão 2.0 do Angelator, aquele holodeck que a Angela Montenegro usa e Bones quando sobra verba e podem fingir que vivem no Século XXIII.

Pois bem, o Holodeck do FBI é muito melhor. No melhor estilo Tony Stark o tal legista faz apresentação dos presuntos, que estão em outro Estado, com direito a interface gestual, reconhecimento de voz, o escambau.

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Essa turminha do barulho acaba identificando a tal quadrilha, mas descobrem que o sistema deles está protegido por algo inexpugnável, algo que nem os maiores hackers do mundo conseguiriam quebrar, nem o Super Alan Turing do Planeta X tem como vencer, uma… senha.

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O Fat Neil calcula que levaria 10 bilhões de anos para desvendar a senha de 20 caracteres, e como ninguém no FBI sabe abrir um PC, arrancar um HD e montar em uma unidade externa, tadinhas das crianças, exceto que… a Patricia Arquette reparou na tatuagem de um dos presos, e comentou que humanos normalmente não conseguem guardar mais de 10 dígitos. Imagino como ela memoriza suas falas.

Por algum motivo bizarro ela deduziu que a password era apenas numérica, o que por si só significa 99.999.999.999.999.999.999 combinações, um número bem mais razoável do que as permutações entre letras, números e símbolos.

Olhando outros dos presos ela percebe que cada um tem uma tatuagem com uma data:

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Ou seja, os JÊNEOS protegeram o sistema com uma senha que não podiam mudar, a não ser que passassem pelo doloroso trabalho de apagar tatuagem, e ao contrário de um pedaço de papel, que você engole, a prova estava ali, na sua pele.

Os super agentes do FBI ainda tinham um problema: quatro blocos de números significam um número quase infinito de permutações. 24 pra ser preciso. Chamaram então o mega power hacker do mal que virou do bem e ele deduziu, de novo baseado em absolutamente nada que a ordem era do ano menor para o maior:

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Só tem um problema. Separando em dígitos temos:

  1. 9
  2. 8
  3. 1
  4. 3
  5. 3
  6. 2
  7. 1
  8. 1
  9. 1
  10. 1
  11. 2
  12. 3
  13. 0
  14. 9
  15. 6
  16. 1
  17. 7
  18. 1
  19. 0

·
Pois é, 19 dígitos, mas a janela de password tem 20 espaços.

Ah sim só pra lembrar, notebook é para os fracos, o FBI leva desktops pra campo.

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Fat Neil não acredita em acesso remoto, ele precisa estar fisicamente no Datacentre, e sem cadeira, que é coisa de sedentários.

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Conclusão

É um CSI mais mentiroso, com uma vibe Lei e Ordem, onde a internet é repleta de gente malvada que quer estuprar seu cartão de crédito, abusar de seu cachorro e sequestrar o avatar da sua filha no Second Life. É divertido? Não sei ainda, é complicado avaliar a dinâmica entre os personagens quando nem os atores estão acostumados com eles, mas do ponto de vista geek, eu diria que tem potencial de se tornar um prazer culpado tão bom quando Bones ou Scorpion.

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