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Brasil: agora matando pinguins de tétano

No Brasil a gente não consegue ser ágil nem quando sabe exatamente onde o avião caiu. Lembra o Hércules que rodopiou ao pousar na Antártica? Quatro meses depois ainda está lá. Sabe quando pretendem mandar o bicho pra casa? Só em março. Como? Brasil? Claro que é Brasil, março de 2016. Agilidade é nosso nome!

03/03/2015 às 15:20

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Em 2013 o programa espacial brasileiro mostrou que estava na vanguarda tecnológica para nos proteger caso pinguins cansassem de dançar, se organizassem e iniciassem um plano de conquista global. Nosso glorioso satélite se esborrachou em algum ponto da Antártica.

Agora fizemos de novo, para desespero dos pobres passarinhos.

Caso você seja muito novo para lembrar, em 2012 o Brasil conseguiu a proeza de perder uma base de pesquisa científica na Antártica. Em um incêndio. Sim, conseguimos um incêndio em um continente coberto de gelo. Éramos jovens, inocentes e otimistas e noticiamos que a Estação Comandante Ferraz seria reconstruída, ainda em 2012.

Pois bem. Brasil sendo Brasil, a licitação só saiu no final de 2013. Em fevereiro de 2014 nenhuma empresa nacional havia se interessado. Abriram pra estrangeiras em novo edital em julho de 2014. Avaliada em US$ 110,5 milhões a brincadeira; a inauguração da base reconstruída foi adiada de 2015 para 2016. Como? A notícia é de 2013, ANTES da primeira licitação ter terminado sem interessados? Que parte de Brasil você não entendeu?

Mesmo assim o cientista brasileiro é brasileiro e não desiste nunca. A base funciona com instalações provisórias, as forças armadas fazem 20 vôos anuais para reabastecer a base e fazer rodízio de cientistas. Numa dessas, 27 de novembro um Hércules C130 da FAB sofreu um acidente durante um pouso na base chilena Presidente Eduardo Frei Moltalvo, que dá apoio logístico ao Brasil.

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Segundo relatos o avião pousou forte, o trem de pouso colapsou e ele acabou rodopiando. O Hércules então arrastou a asa direita, uma das hélices foi arrancada mas ninguém entre os 40 passageiros e tripulantes se feriu.

Isso acontece nas melhores famílias. Pousar na neve com ventos antárticos não é algo que eu deseje a muita gente. Em décadas foi o primeiro acidente da FAB na região, é o famoso shit happens.

O que não deveria acontecer é deixar o avião lá. O Tratado da Antártica é muito, muito rigoroso. Todo o lixo deve ser retirado do continente, a vida selvagem é absolutamente sagrada e qualquer tipo de contaminação é proibida. O impacto ambiental humano deve ser o mínimo.

A lógica diz que o avião seria removido, consertado ou desmontado o mais rápido possível, para evitar que combustível, lubrificante, fluídos hidráulicos e o RedBull dos pilotos contamine a área. Na prática, Brasil sendo Brasil quatro meses depois o bicho ainda está lá. Foi rebocado pra fora da pista e só.

A FAB não sabe o que fazer, não tem prazo e não fala nada sobre o acidente por questões de segurança nacional. Com certeza um C130 atolado no fim do mundo é extremamente preocupante, pode derrubar a Dilma, destruir o BACEN, trazer o Caos e promover o Pinguincalipse.

Segundo um especialista consultado pelo G1 o avião está se deteriorando e pode contaminar a região. Diz a FAB que não, tudo foi limpo, líquidos drenados, neve raspada, etc. Ok. Que tenham feito um trabalho melhor do que na área onde fica a nossa base, pois lá o solo está contaminado.

De certo ponto de vista acho que é cedo pra reclamar. Convenhamos, nosso foguete explodiu em 2003 e o programa espacial brasileiro se resume a uma piada de datilógrafo. A base pegou fogo em 2012 e um ano antes do edital sair já avisavam que iria atrasar pra 2016. Quatro míseros meses para desmontar um avião velho, enfiar num SEDEX e mandar pro lixão da Mãe Lucinda? Inviável, o Brasil não consegue ser rápido assim, mesmo quando não vai a lugar nenhum.

[UPDATE] PARECE que a aeronave será retirada em março. De 2016.

Fonte: PA.

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