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Isso é legal até pra quem tem medo de agulhas

A técnica de micro-injeção vem sendo usada por geneticistas tem uns 50 anos, mas isso tem tudo para mudar. Um grupo desenvolveu uma máquina de nano-injeção, em uma escala absolutamente minúscula.

04/03/2015 às 15:31

Nanoinjector

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Às vezes pesquisa genética não é diferente de uma campanha de vacinação, você tem que espetar a gorduchinha, mas a experiência é muito mais traumatizante para a célula do que o o moleque catarrento tomando injeção na bunda.

A técnica corrente envolve segurar a célula com uma pipeta, espetar com uma micropipeta e soprar DNA pra dentro dela. Isso… é ruim. Muitas células morrem nessa brincadeira, mas uma pesquisa quer resolver isso com nanotecnologia (tecnicamente ainda não é mas tudo bem). O que você está vendo na imagem é um nano-injetor.

Esse tipo de equipamento, chamado MEMS — Micro Electro-Mechanical Systems é produzido com as mesmas técnicas usadas para produzir chips complexos. A técnica, descrita em detalhes no paper, pretende aumentar a viabilidade das células que sofrem manipulação genética, eliminando inclusive a micropipeta.

O truque é bem simples. DNA tem carga elétrica negativa. A ponta do nano-injetor recebe uma tensão elétrica positiva de 1,5 V. Isso faz com que as moléculas de DNA fiquem grudadas como em um Dreamcast. Depois da penetração (ui!) a carga é revertida, o DNA é repelido. A ponta do nano-injetor então é removida, cola-se o menor Band-Aid do mundo na parede da célula (não realmente) e pronto, manipulação genética concluída. Aqui no vídeo vários exemplos do negócio em uso:

Nanoinjector Device: New Gene Therapy Advance from BYU Microbiologists and Engineers

A pesquisa da Brigham Young University foi feita com zigotos de ratos, e a taxa de sobrevivência das células foi de 77,6%. Nada mau, comparando com os 54,7% de sucesso com a técnica de microinjeção convencional.

Isso será muito útil para o desenvolvimento de organismos transgênicos, como o Golden Rice, arroz que produz vitamina A, e o macaco com quatro bundas. Mesmo assim ainda está longe do sonho da nanotecnologia, que existirá uma ordem de magnitude abaixo do tamanho dessas micromáquinas.

Estamos falando de máquinas do tamanho de moléculas, como esta aqui:

Como sabemos que isso é possível? Bem, se não fosse você não existiria. Esse negócio aí em cima é uma Cinesina, uma família de motores moleculares que fazem o transporte de compostos dentro da célula, usando os microtúbulos do esqueleto celular como estradas.

Não estamos inventando nada novo, só redescobrindo idéias que a Evolução testou e aprimorou por bilhões de anos.

Heim? Não, a imagem não é uma representação simplificada, é assim mesmo que essas moléculas funcionam. Veja na seta a primeira imagem de uma Cinesina, feita em 2013:

hirokawa-main

No dia que dominarmos tecnologia nessa escala o céu é o limite. Não só doenças serão coisas do passado como fator de cura do Wolverine virá de brinde em caixa de sucrilhos. De resto, se isso soa impossível para você, imagine explicar para alguém de 50 anos atrás que em 2013 seríamos capazes de manipular partículas individualmente para desenhar uma saudação vulcana com átomos de carbono…

o-IBM-ATOMS-ART-570

Fonte: BYU.

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