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Sony mirando o mercado de otá… — digo, audiófilos

Boas novas, ao menos para quem tem dinheiro sobrando e nenhuma noção do ridículo, ou de tecnologia. A Sony lançou um cartão micro-SD especial para música. Isso mesmo, provavelmente ele mantém os zeros e uns afinados…

19/02/2015 às 15:41

snakeoil

Ninguém discorda que existe moda, status. As calças feitas na China por centavos passam a custar centenas de reais quando ganham uma etiqueta de marca. O consumidor sabe disso, ele está comprando o nome, não o produto. É uma relação estranha, mas honesta, se você descontar os bolivianos escravos que costuram as etiquetas.

Em outras áreas isso não ocorre. Há um esforço ativo de tungar o consumidor, e nem me refiro a placas de vídeo que otimizam seus drivers para mentir para os programas de benchmark. É bem pior, pois existe um tipo de consumidor que defende ardentemente a safadeza: o audiófilo.

Esqueça os enochatos os vegans, os chatos do Whey. O audiófilo é um sujeito que fala duas horas sobre o equalizador valvulado novo que comprou, descreve em detalhes os botões, as formas de onda geradas, a potência RMPO PRM FDO FDP sustentada em modo dinâmico, e tudo que você perguntou foi “esse elevador tá subindo?”.

O Audiófilo existe bem antes dos hipsters, ele alimenta uma indústria que vive de vender produtos caros e inúteis, como cabos de fibra óptica com malha metálica de isolamento, pois como sabemos campos magnéticos afetam luz. Você nunca fez o experimento de dobrar o feixe de uma lanterna com um ímã?

Há espertos vendendo cabos USB por US$ 695,00. Cabos de áudio tradicionais, em versão audiófilo custam milhares de dólares, aí gente ruim sem coração faz um experimento e descobre que os audiófilos não conseguem distinguir quando o sinal passa por um cabo caríssimo e quando passa por um cabide de arame. Pataqueuspa!

No caso dos analógicos, claro que um cabo decente é importante, mas decente significa algumas dezenas, não milhares de dólares. No caso dos digitais é mais simples: ou funciona ou não funciona, não existe sinal digital “fraco”. Toda uma série de algoritmos de correção de erro foram criados justamente para evitar isso. Quando um pacote não chega correto, ele é retransmitido. Se isso não é possível, erros são reportados. Quem tem SKY sabe como é, quando o tempo fecha.

O sinal apenas trava, em geral congelando em uma tela cheia de erros de descompressão MPEG2. No tempo das TVs analógicas teríamos chuviscos, estática, etc.

Claro, isso não impede o pessoal de tentar faturar em cima dos audiófilos, e o novo na brincadeira é a Sony, com isto:

SR-64HXA.0.0

É um cartão micro-SD Classe 10 de 64 GB. igual ao que você compra em qualquer camelô, sendo que esse não é de papelão, claro. É um cartão honesto, que com certeza vai atender todas as suas necessidades, mas está sendo vendido como…

Para Som Premium.

Som. Premium. Afinal os bits que compõe seus arquivos .FLAC (não vou nem usar MP3, seria zueragem demais) soam melhor quando armazenados em células nas memórias NAND-Flash especiais para áudio. Assim quando o circuito de leitura puxa o valor da célula e ela retorna zero ou um, se aquele bit em especial virá como ZERO ou UM, ou até com reverb, ZERO RO RO RO…

Isso claro tem um preço. US$ 155,00. Quanto isso é meter a faca? Digamos assim, um cartão da Sandisk, com as mesmas características mas de uso geral custa NO BRASIL com o dólar nas alturas, US$ 65,00; mas podemos melhorar.

Este aqui:

617okymZ9zL._SX425_

Sabe quanto custa, na Amazon? US$ 28,95.

Acha um absurdo? Com certeza é, mas não demonize a Sony, ou não demonize sozinha. Todo mundo faz isso. A não ser que você ache normal um cabo micro-USB custar R$ 69,00 (ou R$ 35, na promoção) por ser “oficial” da Motorola.

Fonte: TV.

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