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Japão: vendas de celulares flip crescem e smartphones caem

Síndrome de Galápagos: vendas de smartphones e até mesmo de celulares flip caem no Japão

17/02/2015 às 13:30

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O mercado mobile do Japão é deveras estranho para nossos olhos ocidentais, pois algumas de suas particularidades só fazem sentido lá. Por aqui as pessoas se habituaram, como nossas vidas loucas aos smartphones, que fazem de tudo um pouco e além. Eu por exemplo sempre os usei como computadores de bolso, mesmo quando eles pediam água.

Por lá o buraco é mais embaixo. O mercado mobile japonês desenvolveu a chamada Síndrome de Galápagos, se desenvolvendo completamente à parte do cenário mundial. Lá os celulares flip ainda são populares por uma série de features dedicados e o fato que por lei, cada aparelho tem que ser relacionado a um e-mail. É um caso completamente endêmico, só existe lá e não funcionaria em nenhum outro lugar.

Não que os smartphones não vendam por lá. Demorou um bocado mas o iPhone assumiu a dianteira do mercado em 2011 e abriu vantagem em 2014, seguido por marcas locais (o japonês em geral resiste bravamente a marcas de fora). Só que o último relatório do MM Research Institute mostra que o público local ainda prefere os flips: pela primeira vez em sete anos o número de aparelhos celulares enviados às lojas aumentou, com 10,58 milhões de unidades (um aumento de 5,7%). E como se não bastasse o número de smartphones caiu, com 27,70 milhões de aparelhos sendo despachados às prateleiras (queda de 5,3%).

O motivo não é apenas saudosismo ou resistência ao novo, é algo mais mundano que isso: dinheiro. No Japão as operadoras praticam preços insanos nos planos de dados para smartphones, o ministério das comunicações confirma que os custos da categoria estão entre os mais altos do mundo. Já os planos para celulares flip são muito mais baratos e fornecem serviços de voz, dados e conexão à internet (além do já citado e-mail). Fabricantes locais como NEC e Panasonic, incapazes de concorrer com Apple e Samsung no mercado smart o abandonaram e se focam agora em celulares flip, junto com outras como Sharp e Fujitsu.

Ainda assim o analista da MM Research Hideaki Yokota acredita que este é um caminho sem volta: os aparelhos flip carecem de funcionalidades em comparação aos smartphones e para ele, o crescimento dos gadgets vintage foi uma ocasião rara, que não voltará a se repetir. Bem, se as operadoras passarem a praticar planos mobile para smarthpones mais em conta até posso concordar, mas até lá vou observar e ver o que acontece.

Fonte: R.

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