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DARPA quer lançar satélites usando aviões

Como todo mundo que já alugou casa sabe, espaço custa caro. Por isso vários projetos visam baratear o acesso, inclusive o Airborne Launch Assist Space Access, do Pentágono, onde em vez de caríssimos foguetes serão usados foguetes menores lançados de caças em grande altitude para colocar satélites menores em órbita.

13/02/2015 às 18:01

Lockheed_TriStar_launches_Pegasus_with_Space_Technology_5

Satélites custam caro. Dezenas, às vezes centenas, em alguns casos mais de um bilhão de dólares. Parte desse custo vai no lançamento, que pode sozinho custar US$ 70 milhões. O ônibus espacial nos Anos 80/90 custava US$ 500 milhões por lançamento, então usar pra lançar satélites só os grandes e pesados demais para foguetes normais.

Quanto aos satélites, boa parte do custo vai em pesquisar e produzir equipamentos que durem vários anos no espaço. Se for por alguns dias qualquer placa-mãe de celular Android vagaba resolve. Em termos de processamento bruto, se você estiver lendo isto em um Lumia 930 tem em suas mãos mais processamento do que o Hubble. Se for um Lumia 1020, a câmera é melhor também (ok nem tanto).

Idealmente teríamos satélites mais baratos com uma vida útil menor, lançados a baixo custo, mas o preço dos lançamentos é impeditivo. Mesmo o Pegasus, da Orbital ATK ainda é muito caro, a mais de US$ 10 milhões por lançamento. Mesmo assim estão no caminho certo.

Vencer as camadas mais baixas da atmosfera é o grande problema para os foguetes, a maior parte do combustível é gasta nisso. Resistência do ar é uma biatch, como se diz. O Pegasus foge disso sendo lançado de um avião, a 40 mil pés, onde a atmosfera é bem mais rarefeita. Com isso um foguete de 23 toneladas consegue colocar em órbita um satélite de 443 kg. O foguete Longa Marcha 1, chinês, com capacidade semelhante pesa 83 toneladas.

Eis que entra a DARPA, a agência de pesquisas avançadas do Pentágono. Eles estão de olho em uma tecnologia bem mais interessante.

Em vez de um caro Pegasus e um Lockheed TriStar dedicado, usariam caças, um foguete bem menor e reduziriam o custo a US$ 1 milhão por lançamento. Parece muito, mas o Phoenix, míssil de longo alcance usado somente pelos F14 custava US$ 500 mil a unidade, e isso nos Anos 70/80.

O sistema projetado pela DARPA entrou na Fase 2, com a Boeing como principal desenvolvedora. Planejam lançar em 2016 os primeiros satélites, com massa na faixa dos 45 kg. Parece pouco, né? A Sandy inteira tem 40 kg. Isso em termos de capacidade de processamento (do satélite, não da Sandy) é imenso, e pode ser usado para finalidades especializadas. Um satélite só para monitorar celulares, outro com uma pucta câmera infravermelha para detectar lançamentos, outro com um radar de microondas para monitorar nuvens, e por aí vai.

Veja o vídeo conceitual:

DARPAtv — ALASA Concept Video

Importa se vão durar só alguns meses? Não, são baratos, podem, segundo o projeto da DARPA ser lançados com 24 h de aviso e independem de toda uma estrutura especializada como um lançamento normal.

Mais ainda, barateando e multiplicando satélites acaba-se com a possibilidade de guerra espacial, com armas anti-satélites derrubando os pássaros inimigos.

Essa abordagem aliás seria excelente para o Brasil. Avibrás, Mectron e outras empresas possuem know-how na produção de mísseis, sabemos fazer satélites pequenos. Um mini-programa espacial nesses moldes estaria dentro da nossa capacidade tecnológica e financeira.

Pena que o deputado Fábio Garcia já deixou claro que ciência e tecnologia não servem pra nada, então deixe os gringos com essas besteiras, não vão chegar a lugar algum com isso, no máximo na Lua.

Fonte: SD.

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