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O CERN ouviu Carl Sagan: vão mandar um poeta

Existe um grupo que defende que arte e ciência são entidades separadas e isoladas. Esse grupo não entende de nenhuma das duas. Felizmente o CERN entende e está com um projeto onde artistas colaboram com cientistas e todo mundo ganha.

07/02/2015 às 19:45

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Existe uma visão, espalhada geralmente por gente que não entende ciência nem que ela é feita por seres humanos, segundo a qual cientistas são vulcanos, frios, calculistas, livres de qualquer emoção. Sendo que nem vulcanos são assim, eles só treinam para reprimir suas emoções, igual a, como é mesmo? Ah sim, homens.

Também criam uma dicotomia que não existe, separando arte de ciência. As duas estão intrinsecamente relacionadas. Como aprendemos em Donald no País da Matemágica, música é matemática, arte é geometria. Arquitetura, dizem, nada mais é do que arte que a gente mora dentro.

Pintura envolve química, geometria, matemática. Dança é física. Cinema e fotografia só existem por causa da ciência.

Poesia? Quem já bateu cabeça pra fazer um pentâmetro iâmbico decente sabe que aquilo é pura matemática. Do outro lado temos arte e beleza nas mais insignificantes coisas, mesmo um floquinho de neve:

snowcrystals

Ou uma micro-flor feita com carbonato de bário e sílica, com 50 mícrons de tamanho:

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Saindo do micro para o Macro, é impossível olhar os Pilares da Criação, na Nebulosa da Águia e não balançar, sabendo que essas estruturas são milhares de vezes maiores que o Sistema Solar:

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Clique.

O que contribui para essa visão errada da ciência ironicamente são os próprios cientistas, muitas vezes ficam tão absorvidos em seus campos que não percebem a arte à sua volta. Um exemplo didático foram as sondas Viking, mandadas pela NASA e que se tornaram os primeiros objetos a enviar imagens da superfície de Marte.

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Os cientistas da NASA não queriam incluir câmeras, achavam grandes, pesadas e diziam que outros instrumentos gerariam informações científicas bem mais valiosas. Carl Sagan brigou feio, explicou praquele bando de zé ruela que divulgação científica é uma coisa legal mas apenas com gráficos e tabelas fica difícil estimular a imaginação das crianças.

Sagan venceu e a Viking mandou milhares de fotos e panoramas.

Para evitar problemas assim o CERN criou o projeto Collide At CERN, onde artistas se candidatam a passar uma temporada no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, interagindo com os cientistas, aprendendo e oferecendo novas perspectivas.

Muitas descobertas surgiram depois de uma boa noite de sono, ou quando o cientistas se deparou com um problema completamente diferente do que estava trabalhando. É uma chance de acompanhar uma visão externa do próprio trabalho, uma visão que pode até gerar um momento eureka.

Há um artista japonês que está fazendo animações com terabytes de dados do LHC, físicos colaboram com artistas e criam instalações baseados em fenômenos de ressonância. Artistas buscam representações de modelos cosmológicos de 11 dimensões entrelaçadas, matéria escura e tempo negativo.

Essa sinergia está sendo interessante para todos os lados, cientistas trabalham melhor ao perceber que sua pesquisa também pode ser arte, também pode ser apreciada mesmo sem ser entendida.

Claro, esse é o trabalho sério, por aqui o Observatório Nacional acha que faz divulgação científica trazendo gringo pra embrulhar gente.

Fonte: GM.

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