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Quem diria Leonardo da Vinci agora salva aviões

Lembra aquela velha piada de que deveriam fazer os aviões do mesmo material que as caixas-pretas? Um sujeito um dia levou a sério e se perguntou: se EU posso usar um pára-quedas, por que diabos um avião não poderia? No começo dos Anos 90 foram criados pára-quedas para aviões pequenos, e ontem (26/01) um sujeito fez bom uso de um deles. Clique, tem vídeo!

27/01/2015 às 17:27

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Leonardo da Vinci, além de pegador e aventureiro, conforme aprendi naquele documentário Da Vinci's Demons, era um grande inventor, mas a realidade é que basicamente nada do que ele criou foi construído. Uma das teorias pop mais populares diz que ele era um viajante do tempo, o que justificaria seus projetos futuristas.

Entre todos os que ele criou um dos poucos que teria dado certo é o pára-quedas. Incontáveis vidas foram salvas por esse equipamento, novos esportes foram criados e a própria guerra mudou. Curiosamente sua invenção precede o avião em várias centenas de anos, mas mesmo assim a grande maioria dos pilotos não sabe saltar de pára-quedas.

Ele também não é útil quando você está em um 747, e mesmo em um F18 você precisa de um assento ejetor para escapar com segurança. Então, gente em aviões pequenos, as maiores vítimas de acidentes, continuam sem opção, certo?

Errado. Em 1982 um sujeito chamado Boris Popov apresentou um pára-quedas para uso em ultraleves. Em 1998, em parceria com a Cirrus Design mostraram um conjunto onde em caso de emergência um foguete é acionado, puxando o conjunto do pára-quedas, ele é inflado e o avião desce suavemente rumo ao chão.

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“Ah, mas se já existe assento ejetor…”

Existe, custa uns US$ 2 milhões e você ainda tem que saber usar um pára-quedas. No caso dos equipamentos da BRS, basta ficar sentado e Newton faz o resto.

Esses pára-quedas já salvaram muita gente também. A última foi um sujeito de 28 anos pilotando um monomotor Cirrus SR22 indo da Califórnia para Maui, no Hawaii. Uma viagem de 4 mil quilômetros sobre o Pacífico. Como a autonomia do bicho é de uns 2 mil km, ele deve ter atulhado o avião de combustível, tanto que não teve espaço pra levar seus conhecimentos de navegação.

Isso mesmo, o sujeito se perdeu, pediu socorro e quando contactou a Guarda Costeira descobriu que ficaria sem combustível umas 230 milhas antes de chegar em Maui. A Guarda Costeira então direcionou o sujeito para encontrar um navio de cruzeiro que estava na região. Ao mesmo tempo mandaram um Hércules C130 para acompanhar tudo.

O avião ficou sem combustível como previsto e o sujeito foi inteligente a ponto de decidir que não era bom tentar um pouso na água. Acionou o pára-quedas, planou até o mar, com a porta já aberta, inflou um botinho e ficou esperando o escaler do navio chegar.

Depois disso foi só relaxar por dois dias até o Hawaii, aí só então cairá a ficha de que ele perdeu um avião de US$ 600 mil.

O melhor? Tudo foi filmado pelo pessoal do Hercules, veja que coisa linda a tecnologia em ação:

The Aviationist — Coast Guard C-130 films small plane saved by parachute before ditching off Hawaii

Historicamente aviões pequenos são muito mais perigosos do que os comerciais, mas tecnologias como esses pára-quedas estão mudando isso. Convenhamos é um senhor avanço, em comparação com a época onde tudo que o piloto podia fazer era rezar, atitude aliás não muito recomendada.

Fonte: HN.

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