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Publishers queriam protagonista homem em Life is Strange

Déjà vu? Dontnod Entertainment passa pela mesma situação ocorrida em Remember Me: publishers queriam que o protagonista de Life is Strange fosse um homem

12/01/2015 às 16:00

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Deve ter uma caveira de burro enterrada no jardim da Dontnod Entertainment. Isso ou os contatos de publishers da pequena desenvolvedora francesa são muito ruins: em um vídeo relatando o processo de desenvolvimento de Life is Strange, a equipe revela que fechou a distribuição do título com a Square-Enix principalmente porque os japoneses não fizeram ressalvas ao fato da protagonista ser uma mulher.

Sim, você já ouviu essa história e foi com o mesmo estúdio.

O vídeo relata que todas as publishers com que a Dontnod entrou em contato queriam mudar coisas no game, principalmente o sexo da protagonista Max. A única que “não questionou nada acerca do desenvolvimento” foi a Square, o que levou os franceses a fecharem a distribuição de Life is Strange com a softhouse japonesa. O primeiro dos cinco capítulos do game será lançado dia 30/01 para PS4, Xbox One, PS3, Xbox 360 e PC.

Life Is Strange Developer Diary - A New Beginning (No Rating)

O mais curioso nessa história é que essa é a segunda vez que a Dontnod passa por essa situação: quando Remember Me estava em fase de busca por uma distribuidora, todas sem exceção aconselharam os desenvolvedores a fazerem exatamente a mesma coisa: fazer de Nilin um homem. Embora eu não veja o game como uma maravilha - ele tem seus probleminhas – o enredo é fantástico e merecia ser melhor explorado. Além disso a protagonista era uma personagem única em diversos aspectos: uma mulher mulata (algo raríssimo nos games) forte e independente, cuja única ajuda que recebe de outro personagem é virtual (não direi mais porque é spoiler).

Engraçado se pararmos para pensar, que tanto numa como em outra situação publishers japonesas abraçaram os games da Dontnod: com Remember Me a Capcom ficou responsável pela distribuição. O estranho é que em ambas as situações a desculpa das empresas que rejeitaram os títulos é basicamente a mesma: o game não fará sucesso com uma mulher como personagem principal. Last of Us passou por algo parecido, quando executivos queriam que Joel e não Ellie estivesse em primeiro plano na capa.

A verdade é que em pleno 2015, com inúmeros games que vêm trazendo mulheres fortes e não sexualizadas (Ellie, Elizabeth, Clementine, etc) e que rendem títulos de sucesso, é lamentável que empresas pressionem desenvolvedores a abrirem mão de suas personagens porque “o game não vai vender”. Se Remember Me não foi um sucesso o motivo foi outro, o game como um todo não foi memorável (pun intended). Agora, se Life is Strange sofrer dos mesmos problemas de seu antecessor, o mais provável é que os franceses da Dontnod estejam errando a mão em outros lugares que não a escolha do gênero da protagonista, que absolutamente não é culpado de nada.

No mais, a Dontnod precisa de novos contatos de publishers.

Fonte: J.

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