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Novo ministro da Educação quer introduzir ENEM online

Ministro da Educação Cid Gomes quer fazer do ENEM uma prova online: proposta é torná-la única para cada candidato e aplicável mais de uma vez por ano

12/01/2015 às 11:02

enem

O novo ministro da Educação Cid Gomes está disposto a promover uma verdadeira revolução no Exame Nacional do Ensino Médio. Ele declarou em entrevista à Folha que pretende levar à presidente Dilma Rousseff um projeto que torna o ENEM uma prova online, além da possibilidade de aplicá-la mais de uma vez durante o ano.

A proposta tem como objetivo principal acabar com o ENEM da forma que é aplicado hoje, em um único fim de semana para todos os candidatos. Ao digitalizar a prova, o aluno teria uma janela de vários dias para comparecer a um posto credenciado (universidades federais, escolas e outras instituições) e prestar a prova em um computador, abolindo de vez o exame em papel.

Ao tornar o ENEM digital o sistema de ensino teria outro ganho, que é a minimização de fraudes (leia-se cola) e a objetivação do exame: cada prova seria única, composta por questões escolhidas em um enorme banco de dados do MEC. Com isso o sistema poderia formar avaliações de acordo com a cadeira que o vestibulando disputa: provas focadas em exatas, humanas ou áreas específicas, acabando com a generalidade da prova e fazendo com que o candidato se foque em estudar o que realmente importa e não tudo de tudo.

O banco de dados proposto por Cid Gomes seria público, aberto ao escrutínio de entidades e por causa de serem milhares sobre cada assunto, seria impossível que o aluno decorasse todas elas. Assim, o ENEM privilegiaria muito mais quem estudou e domina o assunto apresentado, e menos o adepto da “decoreba”.

Cid Gomes também pretende integrar à proposta o plano de 2009 do então ministro Fernando Haddad, que era aplicar o ENEM várias vezes durante o ano. Com isso a pressão sobre um único exame diminuiria e as chances dos candidatos de entrarem numa universidade aumentariam. Entretanto a ideia foi descartada pelo governo Dilma.

Segundo o ministro, a primeira prova realizada do ano seria gratuita e as demais, custeadas pelo candidato. Caberiam às universidades decidirem qual prova seria utilizada para aprovação da entrada do vestibulando.

Claro, um projeto desse tamanho esbarra em alguns problemas: primeiro, o banco de perguntas ainda não existe. Segundo, as universidades dificilmente terão computadores para todos os vestibulandos (foram mais de 6 milhões em 2014), e obviamente fazer a prova em casa está fora de questão (o SAT dos EUA não é assim, nem o TOEFL). As redes das universidades e outras instituições que forem aplicar a prova devem ser extremamente seguras, ou melhor, funcionarem direito para manterem os computadores conectados ao banco do MEC. Temos os meios de fazê-lo acontecer, mas quanto tempo levaria?

Gomes planeja apresentar a proposta assim que começar a atuar como ministro, e embora o projeto ainda não tenha data para ser implantado seria uma revolução e tanto no vestibular brasileiro, já que muita gente depende do ENEM para entrar em uma boa universidade. E além de modernizar a prova, a quantidade de papel economizada seria considerável.

Fonte: FSP.

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